Aliados interceptam operação russa de sabotagem de cabos submarinos no Ártico
Estados Unidos, Reino Unido e Noruega agiram em conjunto para frustrar uma operação secreta da Rússia no Ártico. O objetivo russo era testar uma nova e sofisticada tecnologia capaz de inutilizar cabos submarinos estratégicos sem deixar rastros evidentes de sabotagem, segundo informou a agência Reuters.
A ação ocorreu nos primeiros meses deste ano, nas proximidades do arquipélago norueguês de Svalbard. Submersíveis russos foram monitorados e confrontados pelas forças dos três países da OTAN, sendo forçados a abandonar a região antes de completar a missão. Nenhum cabo submarino foi danificado durante o incidente.
A descoberta intensificou as preocupações dos aliados sobre a segurança da vasta infraestrutura submarina que sustenta as comunicações globais. Cabos submarinos são essenciais para o funcionamento de transações financeiras, serviços digitais e para mais de 99% do tráfego internacional de dados, conforme o governo britânico.
Svalbard: um ponto estratégico sob vigilância
O arquipélago de Svalbard possui uma importância particular neste cenário. Dois cabos de fibra óptica, totalizando cerca de 1.400 quilômetros, conectam a ilha ao continente norueguês. Esses cabos são cruciais para o transporte de dados recebidos pela estação de satélites SvalSat, utilizada inclusive pela rede de comunicação espacial da NASA.
Tecnologia russa avançada em teste no fundo do mar
De acordo com autoridades ocidentais ouvidas pela Reuters, unidades da GUGI, divisão especializada em operações de grandes profundidades das Forças Armadas russas, estavam na região para instalar uma nova tecnologia. O objetivo era testar um método de desativação de cabos submarinos que não permitisse identificação imediata do agressor ou sinais claros de sabotagem.
A agência descreve o equipamento como “sofisticado e destrutivo”, embora os detalhes de seu funcionamento não tenham sido revelados. A operação russa visava testar o emprego dessa tecnologia contra a infraestrutura submarina em um hipotético conflito entre a Rússia e a OTAN, demonstrando a preocupação crescente com a guerra híbrida.
Aumento da vigilância da OTAN em águas internacionais
Parte da movimentação militar russa já era conhecida. Em abril, Reino Unido e Noruega haviam divulgado o acompanhamento de uma operação envolvendo um submarino russo da classe Akula e unidades ligadas à GUGI no Atlântico Norte. O governo norueguês já havia alertado em abril que as atividades indicavam o desenvolvimento por Moscou de meios para mapear e potencialmente sabotar infraestruturas ocidentais em grandes profundidades.
O incidente ocorre em um contexto de crescente apreensão ocidental com operações de sabotagem e outras formas de guerra híbrida atribuídas à Rússia na Europa. A OTAN tem ampliado suas missões de vigilância nos últimos meses, após uma série de danos registrados em cabos e outras instalações submarinas no continente europeu.
Entre outubro de 2023 e o final de 2025, pelo menos 11 cabos submarinos foram danificados ou rompidos no Mar Báltico, segundo dados citados pela Reuters. A Rússia, por sua vez, nega envolvimento em sabotagens contra países da OTAN ou a preparação de um confronto com a aliança militar.