Scott Bessent, Secretário do Tesouro dos EUA, confirma pressão contra impostos digitais no Brasil e outros países.
O governo dos Estados Unidos tem intensificado seus esforços diplomáticos para dissuadir o Brasil e outras nações parceiras comerciais de implementarem impostos sobre serviços digitais. A estratégia americana visa proteger empresas de tecnologia sediadas nos EUA de tributações que considera desproporcionais.
A revelação foi feita por Scott Bessent, Secretário do Tesouro americano, durante uma audiência na Câmara dos Representantes. Ele mencionou nominalmente o Brasil como um dos países onde Washington tem exercido pressão contra a adoção dessas medidas fiscais.
Essa movimentação ocorre em um contexto de tensões comerciais entre os dois países, com os EUA anunciando recentemente possíveis novas tarifas sobre produtos brasileiros. A informação foi divulgada pelo Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.
EUA Defendem Empresas de Tecnologia em Negociações Globais
“Estamos pressionando, seja na Europa, no Brasil, na Índia ou no Canadá, contra esses impostos sobre serviços digitais”, declarou Bessent. Ele ressaltou que os Estados Unidos buscam ativamente defender os interesses de suas companhias de tecnologia nas negociações comerciais internacionais.
Segundo o Secretário, o país norte-americano possui o “maior ecossistema de tecnologia e inovação do mundo” e não permitirá que outras nações “tire vantagem das nossas empresas”. A postura americana reflete a preocupação com a competitividade e a proteção de seus setores de alta tecnologia.
Tarifas dos EUA Sobre Produtos Brasileiros Geram Preocupação
A declaração de Bessent sobre os impostos digitais coincide com o anúncio de possíveis novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre importações originárias do Brasil. Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs uma sobretaxa de 25% sobre uma lista específica de produtos brasileiros.
Essa medida, com início previsto para 15 de julho, adiciona uma camada de complexidade às relações comerciais. Paralelamente, em outra frente, o USTR propôs tarifas de 12,5% sobre produtos brasileiros e de outros países. A justificativa para essa segunda proposta reside em falhas percebidas no combate à entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado no mercado americano.
Audiência Pública Definirá Futuro das Tarifas
A proposta de tarifa de 12,5% será submetida a debate em uma audiência pública agendada para o dia 7 de julho, em Washington. Somente após essa etapa de discussão e análise é que o governo americano tomará uma decisão final sobre a aplicação, modificação ou abandono da tarifa proposta. O desfecho desta audiência poderá ter impactos significativos no fluxo comercial entre Brasil e Estados Unidos.