Filme brasileiro "O Agente Secreto" recebe R$ 7,5 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual para produção e conquista indicações internacionais

Filme brasileiro “O Agente Secreto” recebe R$ 7,5 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual para produção e conquista indicações internacionais

Resumo

O Agente Secreto: Financiamento Público e Reconhecimento Internacional

O filme brasileiro “O Agente Secreto” está em evidência após receber um investimento significativo do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), administrado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine). O montante de R$ 7,5 milhões foi destinado à produção do longa, que também foi selecionado para representar o Brasil na disputa pelo Oscar 2026 e obteve dois prêmios no recente Globo de Ouro.

É importante esclarecer que o financiamento público para “O Agente Secreto” provém do FSA, através de um edital público específico, e **não tem qualquer relação com a Lei Rouanet**, que, conforme informado pela Ancine, não financia longas-metragens. Essa distinção é crucial para entender a origem dos recursos.

A produção do filme, que custou um total de R$ 27 milhões, contou também com **investimentos privados**, um modelo comum para viabilizar projetos de grande porte. “O Agente Secreto” é uma coprodução internacional, envolvendo empresas da França, Alemanha e Holanda, o que facilita a exibição do filme no exterior e amplia seu potencial de alcance global. Essas informações foram divulgadas com base em apuração do UOL, com dados fornecidos pela Ancine.

Detalhes do Financiamento Público e Outros Projetos

Os R$ 7,5 milhões destinados a “O Agente Secreto” foram obtidos por meio do edital “Produção Cinema Via Distribuidora 2023”, lançado em abril de 2023 e com resultados divulgados em dezembro do mesmo ano. O processo foi conduzido pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), agente financeiro do FSA, em parceria com a Ancine, seguindo um regime de concurso público com critérios técnicos rigorosos.

No total, o edital distribuiu cerca de **R$ 99,9 milhões para 21 projetos cinematográficos brasileiros**. Entre outros filmes contemplados com recursos do FSA estão “A Sogra Perfeita 2”, que recebeu R$ 5,5 milhões, e “Escola Sem Muros” e “Geni e o Zepelim”, ambos com R$ 7,5 milhões cada, segundo relatórios oficiais da Ancine.

Além do valor para produção, o FSA também aprovou R$ 750 mil para a distribuição e comercialização de “O Agente Secreto”. No entanto, a produtora optou por não utilizar este recurso até o momento. A Ancine aguarda retorno para detalhar a operação para o filme “O Agente Secreto”.

Critérios de Seleção e Natureza do FSA

O edital estabeleceu **critérios técnicos claros** para a seleção dos projetos, como a experiência das produtoras, o currículo dos profissionais envolvidos, os contratos firmados e o planejamento de produção e distribuição. Foram aprovadas as propostas consideradas mais sólidas e viáveis.

Obrigatoriamente, obras destinadas exclusivamente a plataformas de streaming, projetos já beneficiados por outros editais públicos ou produções com vínculo direto com servidores da Ancine **não puderam concorrer**. Concorrentes que ocupavam cargos na agência reguladora também foram impedidos de participar.

O Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), criado pela Lei Federal nº 11.437 de 2006, tem como objetivo o desenvolvimento da cadeia produtiva do audiovisual brasileiro. Ao contrário de um subsídio sem retorno, o FSA **participa da exploração econômica das obras financiadas**. Caso o filme gere lucro, parte da receita retorna ao fundo para financiar novos projetos, configurando um modelo de investimento retornável.

No caso de “O Agente Secreto”, o edital determina que o apoio seja feito como investimento retornável. Conforme o documento oficial, “A participação do FSA sobre a Receita Líquida do Produtor será equivalente a 50% da participação do investimento do FSA nos itens financiáveis do projeto, durante todo o prazo de retorno financeiro”.

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