Fim do "Niño Guerrero": Quem foi o chefe do Tren de Aragua, o traficante morto em operação dos EUA na Venezuela?

Fim do “Niño Guerrero”: Quem foi o chefe do Tren de Aragua, o traficante morto em operação dos EUA na Venezuela?

Resumo

Morre Héctor Guerrero Flores, o “Niño Guerrero”, líder do Tren de Aragua, em operação militar conjunta entre EUA e Venezuela.

O mundo do crime se despede de uma de suas figuras mais proeminentes. Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido mundialmente como “Niño Guerrero”, 43 anos, foi morto em uma operação militar conjunta conduzida pelos Estados Unidos e pela Venezuela. Ele era o chefe máximo do temido grupo criminoso Tren de Aragua.

Nascido em Maracay, no estado de Aragua, em 30 de maio de 1983, Guerrero Flores iniciou sua jornada no crime organizado nos anos 2000, com pequenos delitos e o tráfico de drogas. Sua reputação de violência se consolidou em 2005, após assassinar um policial, marcando o início de sua ascensão no submundo.

Fichado internacionalmente e incluído na lista dos criminosos mais procurados pelo U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE), “Niño Guerrero” transformou o sistema prisional venezuelano em um verdadeiro “escritório do crime”. O líder do Tren de Aragua era um dos criminosos mais perigosos da América Latina.

Preso em 2010 e levado ao Centro Penitenciário de Aragua, ele orquestrou uma fuga espetacular, supostamente com a ajuda de agentes penitenciários. Recapturado em 2013, retornou à mesma prisão, onde se fortaleceu como o principal líder, ditando ordens e expandindo o alcance do Tren de Aragua.

O presídio como fortaleza de luxo

Assim como outros traficantes notórios do passado, “Niño Guerrero” transformou a prisão em um verdadeiro reduto de luxo. O local contava com uma piscina, campo de beisebol, discoteca e até um zoológico com animais exóticos. Tudo isso era financiado pelas extensas redes de extorsão que o traficante comandava.

O líder do Tren de Aragua habitava uma mansão construída dentro do próprio complexo penal. De lá, ele controlava a expansão de seus negócios para além das fronteiras venezuelanas, conseguindo entrar e sair da prisão “sem muitos problemas”, conforme relatos.

Tren de Aragua: a multinacional do terror

Originado nos anos 2010, o Tren de Aragua começou como um sindicato de trabalhadores que extorquia empreiteiras em obras inacabadas. Sob o comando expansionista e a “visão empresarial” de “Niño Guerrero”, a facção evoluiu de uma gangue carcerária para a organização criminosa mais poderosa da Venezuela e uma ameaça internacional.

Aproveitando o fluxo migratório causado pela crise na Venezuela, a partir de 2018, o grupo espalhou suas células criminosas por países como Colômbia, Peru, Chile, Equador, Brasil e Panamá. Bases foram estabelecidas em grandes centros urbanos como Bogotá, Lima e Santiago, consolidando o Tren de Aragua como uma rede criminosa global.

Com a expansão, o portfólio de crimes do cartel se diversificou. Além do narcoturáfico, o grupo é investigado por redes internacionais de contrabando de migrantes e tráfico humano, com foco em exploração sexual. A organização também é conhecida por cobrar taxas de segurança de comerciantes locais, praticar agiotagem e realizar assassinatos sob encomenda, espelhando táticas de facções brasileiras como PCC e Comando Vermelho.

A “multinacional criminosa” também explora minas ilegais de ouro no sul da Venezuela e fornece armamento de calibre militar para quadrilhas aliadas. Em 2025, o governo dos Estados Unidos designou formalmente o Tren de Aragua como uma Organização Terrorista Estrangeira, reconhecendo sua periculosidade global.

A caçada e a eliminação de “Niño Guerrero”

O Departamento de Estado americano chegou a oferecer uma recompensa de até US$ 5 milhões por informações que levassem ao paradeiro de Guerrero. O traficante já respondia a processos criminais na corte federal de Nova York por conspiração de extorsão, tráfico de armas e apoio a atividades terroristas.

A eliminação de “Niño Guerrero” ocorreu no sudeste do estado venezuelano de Bolívar, em uma operação liderada pelo Comando Sul dos Estados Unidos (Southcom), com apoio da Agência Central de Inteligência (CIA). O presidente americano, Donald Trump, celebrou o sucesso da missão em sua plataforma, Truth Social.

Em setembro de 2023, uma megaoperação policial invadiu a prisão de Tocorón, um dos redutos do Tren de Aragua. “Niño Guerrero” teria sido alertado com antecedência e conseguiu fugir por túneis secretos, continuando a coordenar o grupo narcotraficante. Contudo, a caçada internacional terminou nesta semana nas florestas de Bolívar.

A inteligência da CIA identificou o complexo residencial oculto onde o líder terrorista se escondia. A execução do ataque foi classificada pelos militares como um “ataque cinético de precisão”. Um vídeo oficial divulgado pela administração de Donald Trump mostra o momento em que um projétil atinge a estrutura onde o líder terrorista se abrigava, reduzindo o quartel-general improvisado a escombros e chamas.

Durante a incursão terrestre após o ataque, novos confrontos armados foram registrados, momento em que “Niño Guerrero” foi morto. A ação conjunta demonstra o compromisso mútuo em combater o narcoterrorismo no hemisfério, conforme reiterado pelo secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth.

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