Flávio Bolsonaro acusa Lula de ser "chefe do PCC" e cita presença de Dino na Maré em crítica à segurança pública

Flávio Bolsonaro acusa Lula de ser “chefe do PCC” e cita presença de Dino na Maré em crítica à segurança pública

Resumo

Flávio Bolsonaro dispara contra Lula e Dino em debate sobre segurança pública, comparando presidente a “chefe do PCC”.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um debate promovido pelo Grupo Voto, focando na área de segurança pública. O pré-candidato à Presidência da República comparou Lula a um líder do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A declaração surgiu após Flávio Bolsonaro discordar da posição do governo federal em não classificar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas. Para o senador, essa falta de classificação representa uma oportunidade perdida para combater o “poder paralelo” das facções criminosas.

“Parece que ele é o chefe do PCC”, afirmou Flávio Bolsonaro, questionando a postura do presidente. A posição governista, segundo o conteúdo, é de que a inclusão das facções no conceito de terrorismo poderia levar a uma intervenção do governo americano no Brasil, transformando a questão de segurança pública em um problema de defesa nacional. A menção ao ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, também foi feita pelo senador.

A polêmica da classificação de terrorismo e a tarifa sobre produtos brasileiros

A discussão ganhou contornos internacionais quando os Estados Unidos designaram o PCC e o CV como organizações terroristas em 28 de maio. Esta decisão ocorreu dois dias após a visita de Flávio Bolsonaro ao então presidente Donald Trump, gerando comemoração em sua campanha e apreensão no governo brasileiro, que chegou a criticar a família Bolsonaro por supostamente minar a soberania nacional.

Pouco tempo depois, o escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu a aplicação de uma **tarifa de 25% sobre produtos brasileiros**, citando o Pix, decisões do Judiciário e desvantagens competitivas. Flávio Bolsonaro chegou a afirmar que pediu a Trump para não taxar empresas brasileiras.

A militância digital de esquerda, no entanto, utilizou o episódio para criar o apelido “Tariflávio”, atribuindo ao senador a responsabilidade pela possível taxação. Eduardo Bolsonaro, por sua vez, comparou o Pix ao Zelle, sistema de pagamentos dos EUA, o que foi interpretado como uma proposta para trocar o Pix pelo Zelle, gerando retratação pública e a defesa de que o Pix seria uma criação de Jair Bolsonaro.

Flávio Dino e a visita ao Complexo da Maré sob escrutínio

Flávio Bolsonaro também relembrou a **presença do então ministro da Justiça, Flávio Dino, no Complexo da Maré**, no Rio de Janeiro. O senador questionou a segurança do ministro na ocasião, sugerindo que Dino teria entrado na comunidade sem escolta policial, em uma área conhecida por ser domínio do Comando Vermelho.

“O que vocês acham que aconteceu ali?”, questionou o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, insinuando que a entrada na favela, sem escolta, só seria possível com autorização do tráfico.

Flávio Dino já abordou o tema em outras ocasiões no Senado, negando que estivesse desacompanhado e classificando a afirmação como uma mentira repetida. Ele explicou que a presença em comunidades necessita de planejamento e, por vezes, de acordos com lideranças locais para garantir a segurança.

Lula no Complexo do Alemão e a festa em presídios em 2022

O senador Flávio Bolsonaro também mencionou a suposta campanha de Lula no Complexo do Alemão, outra área dominada pelo Comando Vermelho, onde o presidente também teria “dispensado os policiais”. Ele conectou essa ação à comemoração em presídios registrada após a vitória de Lula nas eleições de 2022.

“Por que as cadeias ficaram em festa em 2022, quando o Lula foi declarado presidente da República?”, questionou o senador, ligando as visitas do presidente a comunidades a uma suposta proximidade com facções criminosas.

A reportagem buscou contato com o Planalto, com a assessoria de imprensa do Supremo Tribunal Federal e com o gabinete do ministro Flávio Dino para obter manifestação sobre as declarações de Flávio Bolsonaro. O espaço permanece aberto para resposta.

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