Fogo amigo no Planalto: Haddad é pressionado por Camilo Santana a disputar governo de SP contra Tarcísio

Fogo amigo no Planalto: Haddad é pressionado por Camilo Santana a disputar governo de SP contra Tarcísio

Resumo

Camilo Santana defende que Haddad priorize projeto de Lula e se candidate ao governo de SP

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, recebeu um forte apelo de seu colega de Esplanada, Camilo Santana, titular da Educação. Santana argumenta que Haddad não deve colocar seu interesse pessoal de não disputar um cargo eletivo acima do “projeto de Brasil” que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está conduzindo.

A pressão surge em meio à confirmação de que Haddad deixará o ministério até o final de janeiro para se dedicar à campanha de reeleição de Lula. No entanto, há um desejo forte dentro do PT para que ele se candidate ao governo do estado de São Paulo, enfrentando o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).

A declaração de Santana foi dada em entrevista ao jornal O Globo, publicada neste domingo (25). A expectativa é que a próxima viagem de Lula ao exterior, prevista para o final de janeiro e início de fevereiro, com paradas no Panamá, Índia e Coreia do Sul, possa ser o momento em que o presidente convença Haddad a aceitar o desafio de disputar o governo paulista.

Missão em nome do projeto nacional

“Então não pode se dar ao luxo de querer tomar uma decisão individual. Ele faz parte de um projeto de Brasil, que é liderado pelo presidente Lula. A gente precisa cumprir missões que muitas vezes pessoalmente não quer”, afirmou Camilo Santana. Ele acredita que Haddad “vai se empolgar” para a disputa, ressaltando o papel importante que o ministro desempenhou em 2022, ao coordenar o plano de governo de Lula.

Santana enfatizou que a candidatura em São Paulo é uma “questão de missão”, e não de desejo pessoal. “Muitas vezes precisamos nos colocar à disposição em nome do projeto nacional, independentemente se vamos ser vitoriosos ou não”, completou o Ministro da Educação.

Segurança pública como desafio para a esquerda

O ministro da Educação também reconheceu que a campanha de reeleição de Lula em 2024 enfrentará um forte componente a favor da direita: a discussão sobre segurança pública. Este é um tema historicamente mais difícil para a esquerda, que tende a abordar a questão de forma mais cautelosa, enquanto a direita age de maneira mais combativa.

“Iniciamos um processo muito forte de mudanças no Congresso, com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança e o projeto de lei antifacção. O (Ricardo) Lewandowski foi um grande ministro (da Justiça), mas o Wellington (Lima e Silva) vai precisar intensificar mais as ações do governo e ter uma articulação forte para aprovar essa PEC”, pontuou Santana.

PT precisa ser enfático no combate ao crime

Para Camilo Santana, o debate sobre segurança pública “não pode ser uma disputa político e eleitoral”. Ele defende que o PT precisa ser “enfático” no combate ao crime organizado no Brasil, “custe a quem custar”.

“A lei antifacção é para endurecer as penas para as organizações criminosas e precisaria endurecer para quem tirar a vida das pessoas intencionalmente. Aliar isso com a integração das ações de segurança pública, inteligência entre os estados. Precisa ter uma coordenação nacional”, finalizou.

Alckmin segue na chapa de Lula

Enquanto isso, a possibilidade de o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também disputar o governo de São Paulo é ventilada, mas apurações indicam que ele permanecerá na chapa de Lula à reeleição presidencial.

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