Governo Lula Confunde: Aumenta Imposto de Importados, Chama de "Fake News" e Recua em Meio a Críticas da Oposição

Governo Lula Confunde: Aumenta Imposto de Importados, Chama de “Fake News” e Recua em Meio a Críticas da Oposição

Resumo

Governo emite sinais contraditórios sobre aumento de impostos de importação, gerando polêmica e críticas.

O governo federal iniciou fevereiro com o aumento do Imposto de Importação para mais de 1.200 produtos, incluindo eletrônicos e itens de informática. No entanto, a medida gerou forte repercussão negativa, especialmente nas redes sociais, levando a um recuo parcial e à classificação de notícias sobre o aumento como “fake news”.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) reverteu o aumento na taxação de 120 produtos, como smartphones e peças de computador. A decisão foi comunicada à imprensa na sexta-feira (27). Na mesma noite, o perfil oficial do governo divulgou um vídeo do vice-presidente Geraldo Alckmin afirmando que as notícias sobre a alta na tributação eram falsas.

Alckmin declarou que não haveria aumento de impostos para itens como celulares e notebooks, classificando as informações como “notícias falsas” e “histórias inventadas para assustar as pessoas”. A declaração, contudo, contrasta com documentos oficiais e ações do próprio governo. Conforme informação divulgada pelo próprio governo federal, o vídeo de Alckmin alcançou mais de 6,5 milhões de visualizações nas redes sociais.

Oposição Reage e Acusa Governo de Desinformação

A oposição reagiu prontamente às declarações do governo. O deputado federal Marcel Van Hattem (Novo-RS) questionou Alckmin no próprio vídeo, afirmando que o recuo ocorreu após sua proposta de revogação dos aumentos. “Mentirosos. Foi depois que propus na Câmara a revogação dos aumentos que vocês cancelaram. Agora, virou fake news”, comentou.

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou a postura do governo, destacando que o aumento afetou mais de 1.200 produtos, com recuo em apenas 120. “Aumentaram a tarifa de mais de 1.200 produtos, recuaram sobre apenas 105 envolvendo um grupo específico, e ainda tem coragem de vir com papo de ‘fake news’. Desrespeito total com os brasileiros”, publicou em seu perfil no X.

Kim Kataguiri (União-SP) também se manifestou, acusando o governo de espalhar desinformação. Em vídeo no TikTok, ele inseriu imagens do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicando a alta nos impostos, e afirmou: “Mentira, notícia falsa? Está em documento oficial, assinado por você”.

Momento de Fragilidade e Pressão Eleitoral

A polêmica surge em um momento delicado para o governo Lula, com pesquisas eleitorais indicando fragilidade e a proximidade das eleições. A repercussão negativa do aumento do imposto de importação, que já havia gerado um vídeo crítico de Nikolas Ferreira com 29 milhões de visualizações, pressionou o Executivo a recuar.

Nos bastidores, especula-se que Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social e ex-marqueteiro de Lula, teria sido um dos defensores da reversão. Ele teria comparado o estrago nas redes ao episódio do Pix no início de 2025, quando um vídeo crítico sobre fiscalização de transações via Pix alcançou 300 milhões de visualizações.

Governo Insiste em Não Ter Havido Recuo Significativo

Na manhã de sábado (28), o governo Lula reiterou a tese de que não houve recuo na taxação. Publicações no X afirmaram que notícias sobre celulares e notebooks mais caros eram “imprecisas ou simplesmente falsas”.

Segundo o governo, o Comitê-Executivo de Gestão (GECEX) da CAMEX reverteu aumentos sobre GPU, placa-mãe de vídeo e processador, mas isso já estava previsto, pois produtos sem fabricação nacional equivalente não poderiam ser taxados. O governo alega que, com exceções pontuais, não houve reversão do aumento de alíquotas, mas sim a manutenção ou concessão de isenções.

Ministro Haddad Defendia Aumento para Proteger Indústria Nacional

Em fevereiro, o Ministério da Fazenda havia argumentado, em nota técnica, que a alta do imposto de importação visava compensar reduções de alíquotas e proteger a indústria nacional. Dois dias antes do recuo, o ministro Fernando Haddad defendeu a medida, afirmando que ela protegeria a indústria “sem ocasionar aumento de preços”.

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