Hugo Motta, presidente da Câmara, confirma viagem custeada por empresário em meio a investigações
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), admitiu ter aceitado uma viagem a Portugal com hospedagem paga pelo empresário Daniel Vorcaro. A declaração surge após a revelação de que Vorcaro teria financiado uma vida luxuosa para o senador Ciro Nogueira (PP-PI), em troca de atuação em favor de interesses bancários no Congresso, conforme apurações da Polícia Federal.
Motta afirmou que a viagem ocorreu a convite de Ciro Nogueira e que Daniel Vorcaro providenciou a reserva de quartos em um hotel de luxo na capital portuguesa, com custo aproximado de R$ 20 mil. O deputado declarou explicitamente que **”não vê crime nisso”**, classificando o evento como corporativo e justificando o benefício como uma carona em jatinho.
As informações foram divulgadas após o ministro do STF, André Mendonça, retirar o sigilo de inquéritos relacionados ao caso Master. A investigação apura se o empresário Daniel Vorcaro utilizou seus recursos para beneficiar políticos que, em contrapartida, atuariam em seu favor. Hugo Motta, embora não seja alvo direto das investigações do caso Master, confirmou ter recebido as vantagens oferecidas por Vorcaro, demonstrando proximidade com o empresário.
Detalhes da viagem e a justificativa de Motta
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Hugo Motta detalhou como ocorreu o convite para a viagem. Segundo ele, o senador Ciro Nogueira o convidou para um evento em Portugal e, ao ser informado por Motta sobre a falta de passagens, sugeriu ir **”de carona” com Daniel Vorcaro**.
“Chegou lá, o Daniel tinha reservado o hotel. Também não vejo problema. É um evento corporativo. Não vejo crime nisso”, declarou Motta, reforçando sua tranquilidade em relação às investigações e à sua participação no evento, que ele identificou como o “Gilmarpalooza”, um fórum jurídico promovido pelo ministro Gilmar Mendes do STF.
Investigações e o contexto do caso Master
O caso Master investiga um suposto esquema de **financiamento de vida luxuosa para políticos por parte do empresário Daniel Vorcaro**. A Polícia Federal aponta que, em troca desses benefícios, os políticos teriam atuado para favorecer os interesses do banco representado por Vorcaro no Congresso Nacional.
A retirada do sigilo dos inquéritos pelo ministro André Mendonça trouxe à tona novos detalhes sobre as conexões entre Vorcaro e diversos políticos, incluindo o senador Ciro Nogueira e, agora confirmado, o presidente da Câmara, Hugo Motta. A proximidade entre Motta e Vorcaro também foi evidenciada por meio de conversas interceptadas pela PF.
Silêncio de Ciro Nogueira e a posição de Motta
Até o momento, o senador Ciro Nogueira não se pronunciou oficialmente sobre os novos desdobramentos do caso Master e a confirmação de que Daniel Vorcaro teria financiado suas despesas em Portugal. Hugo Motta, por outro lado, reiterou sua posição de **”muita tranquilidade”** em relação às apurações, mesmo confirmando o recebimento das vantagens.
Motta já havia se manifestado anteriormente, indicando que considerava normais as vantagens bancadas por Vorcaro, e agora reforça essa visão ao afirmar que **”não vê crime”** nas ações. A situação levanta questionamentos sobre a ética e a legalidade de benefícios recebidos por agentes públicos de empresários com interesses em pauta no poder legislativo.