Biotecnologia Brasileira Oferece Esperança para Jumentos Ameaçados pela Demanda Global de Colágeno
Uma nova esperança surge para a espécie Equus asinus, popularmente conhecida como jumento. Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma inovadora técnica de biotecnologia capaz de produzir colágeno em laboratório, eliminando a necessidade do abate de animais para atender à crescente demanda mundial, especialmente da China.
A exploração intensa desses animais para a fabricação de ejiao, uma gelatina medicinal tradicional chinesa, tem levado a um declínio populacional alarmante. Relatórios indicam que milhões de jumentos são abatidos anualmente, colocando a espécie em risco de extinção em diversas partes do globo.
A solução brasileira, apresentada em setembro de 2025 no 13º Congresso Mundial de Alternativas e Uso de Animais nas Ciências da Vida, utiliza a fermentação de precisão para modificar microrganismos do jumento, permitindo a produção sustentável de colágeno. Essa tecnologia promete não apenas salvar os jumentos, mas também oferecer uma alternativa ética e eficiente para o mercado.
Ameaça Global: Jumentos em Risco de Desaparecimento
O cenário para os jumentos é preocupante. Um relatório da organização internacional The Donkey Sanctuary revelou um aumento de 160% na demanda por pele de jumentos entre 2016 e 2021. Apenas em 2021, foram necessários o abate de 5,6 milhões de animais para suprir essa necessidade. As projeções indicam que, em 2027, este número poderá saltar para 6,8 milhões.
Essa exploração desenfreada, impulsionada principalmente pelo mercado chinês de ejiao, representa uma ameaça global. A BBC reportou que a alta demanda já causou o risco de desaparecimento de jumentos na África, continente de origem da espécie. O processo de obtenção do colágeno frequentemente envolve maus-tratos, abandono, má nutrição e abates sem regulamentação sanitária adequada, conforme aponta o estudo da The Donkey Sanctuary.
Declínio Populacional no Brasil: Mais de 240 Mil Jumentos Abatidos desde 2018
No Brasil, a situação não é diferente. A Frente Nacional de Defesa dos Jumentos estima que o país perdeu 94% de seu rebanho de asininos entre 1996 e 2025. O estado da Bahia, que concentra os únicos frigoríficos autorizados para o abate desses animais, tem sido um dos mais afetados pela crise.
Desde 2018, cerca de 248 mil jumentos foram mortos no Brasil, um dado alarmante que evidencia a urgência de soluções para a preservação da espécie. Carla Molento, doutora em zootecnia e coordenadora de laboratórios na UFPR, alertou à BBC sobre o risco iminente de extinção: “Estamos prestes a ficar sem jumentos no Brasil, e não é um comércio que se defenda, nem do ponto de vista puramente pragmático do comércio”. Ela descreve a situação como um “beco sem saída”, enfatizando a necessidade de parar o abate antes que seja tarde demais.
A Chegada dos Jumentos ao Brasil e a Transformação do Cenário
Os jumentos foram introduzidos no Brasil em 1534, durante a expedição de Martim Afonso de Souza. Ao longo dos séculos, tornaram-se uma presença marcante, especialmente no Nordeste, onde eram essenciais para locomoção e transporte. No entanto, a partir dos anos 1990, a popularização das motos começou a substituí-los, desencadeando um processo de desaparecimento que foi drasticamente agravado nos últimos anos pela alta demanda internacional.
A Biotecnologia como Aliada na Conservação
A nova técnica brasileira de produção de colágeno por fermentação de precisão representa um marco na conservação animal. Ao permitir a fabricação do composto em laboratório, a inovação elimina a necessidade de explorar os animais, oferecendo uma alternativa ética e sustentável para atender à demanda global por produtos derivados do colágeno de jumento.
Essa tecnologia, desenvolvida por cientistas brasileiros, não só protege os jumentos da exploração predatória, mas também abre caminho para um futuro onde a ciência e a conservação caminham juntas, garantindo a sobrevivência de espécies ameaçadas pela ação humana.