Janja em voo da FAB: Visita a barracão de escola de samba do Rio e agenda oficial em foco

Janja em voo da FAB: Visita a barracão de escola de samba do Rio e agenda oficial em foco

Resumo

Janja viaja em avião da FAB para agenda no Rio, incluindo visita a escola de samba

A primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, utilizou um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) em 6 de outubro de 2025 para cumprir agenda no Rio de Janeiro. Entre os compromissos, destacou-se uma visita ao barracão da escola de samba Acadêmicos de Niterói, agremiação que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último Carnaval.

A viagem, que também contou com a presença das ministras Anielle Franco (Igualdade Racial) e Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), levantou debates sobre a utilização de aeronaves da FAB. Conforme revelado pelo portal Metrópoles e confirmado pela Gazeta do Povo, o pedido do voo foi feito pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI), com a justificativa oficial de participação em um evento relacionado à Conferência da Década dos Oceanos de 2027.

Apesar de a visita à escola de samba ter sido um dos pontos da agenda, ela não constou na justificativa apresentada à FAB. A primeira-dama retornou a Brasília no mesmo dia, em outro voo da FAB. O uso de aeronaves da FAB é regulamentado por decreto de 2020, assinado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que estabelece prioridades e a necessidade de justificativa detalhada para as viagens.

Visita ao barracão e envolvimento com o samba

Durante a visita ao barracão da Acadêmicos de Niterói, Janja demonstrou seu apreço pelo samba, afirmando em vídeo divulgado pela agremiação que o presidente Lula está “apaixonado pelo samba”. Ela interagiu com dirigentes e membros da escola, posando para fotos e demonstrando entusiasmo com o ambiente carnavalesco. As ministras Anielle Franco e Luciana Santos também foram vistas no local.

A Acadêmicos de Niterói teve como enredo no Carnaval deste ano “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que narrou a trajetória do presidente. Apesar da homenagem, a escola foi rebaixada para a Série Ouro, ficando em último lugar. A primeira-dama chegou a cogitar sair como destaque em um dos carros alegóricos, mas desistiu diante de ações judiciais contra o desfile.

Regulamentação do uso da FAB e outros casos

O decreto que regulamenta o uso de aviões da FAB por autoridades prioriza situações de emergência médica e de segurança, seguidas por compromissos de serviço. A autoridade solicitante deve apresentar justificativas claras, incluindo datas, horários e acompanhantes. O decreto também prevê o compartilhamento de aeronaves entre autoridades com destinos e horários semelhantes.

A viagem de Janja, acompanhada por ministras, se enquadra nas regras de compartilhamento de voos. No entanto, este não é o único caso em que a primeira-dama utilizou aeronaves da FAB. Em junho de 2025, ela viajou em um jatinho da FAB para uma consulta médica em São Paulo, a convite do então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e na mesma aeronave que transportava o ministro do STF Alexandre de Moraes. Na ocasião, a assessoria de Janja informou que o voo não gerou custos adicionais à União, pois já estava previamente solicitado por Lewandowski.

Posicionamentos e desdobramentos

A Gazeta do Povo buscou contato com os Ministérios da Ciência e Tecnologia, da Igualdade Racial e a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) para obter posicionamentos sobre o caso, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações.

Em nota ao jornal Folha de S. Paulo, o MCTI reiterou que a agenda da ministra Luciana Santos teve como foco o protagonismo científico brasileiro na preservação dos oceanos, mas não mencionou a visita ao barracão da escola de samba. A Acadêmicos de Niterói se manifestou sobre o rebaixamento nas redes sociais, afirmando que “a arte não é para covardes”, publicação que foi repostada por Janja.

Antes do Carnaval, a oposição acionou a Justiça Federal e o TSE com alegações de propaganda eleitoral antecipada, mas as ações foram rejeitadas. O partido Novo, por sua vez, anunciou que pedirá a inelegibilidade do presidente ao TSE.

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