Ludmila Lins Grilo vê chance real de impeachment de Dias Toffoli no STF e critica o que chama de ‘ditadura judicial’.
A juíza aposentada Ludmila Lins Grilo declarou em entrevista que vislumbra uma oportunidade concreta para o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Ela reiterou suas críticas àquilo que descreve como uma “ditadura judicial” no Brasil, um tema que tem marcado sua atuação pública desde sua aposentadoria compulsória após manifestações contra decisões da Corte.
A magistrada comentou a recente decisão de Gilmar Mendes que anulou a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático de uma empresa ligada a Dias Toffoli e seus irmãos. Segundo Ludmila, essa manobra, realizada em um pedido dentro de uma ação arquivada, não é um fato isolado e demonstra uma articulação para beneficiar o ministro.
“Essa não é a primeira vez que o Gilmar Mendes faz isso. Num passado recente, essa é a segunda vez que eu vejo o Gilmar fazendo”, afirmou Ludmila, citando a expressão “decisão barriga de aluguel” usada nas redes para descrever a ação. Ela explicou que essa tática envolve a criação artificial de um critério de prevenção para que um juiz específico, neste caso Gilmar Mendes, atue em um processo que lhe interessa, algo que, em sua visão, não é compatível com uma democracia.
Oportunidade Única para Impeachment de Ministro do STF
Para Ludmila Lins Grilo, o cenário atual representa a chance mais palpável que ela já presenciou para a abertura de um processo de impeachment contra um ministro do STF. “Eu nunca vi até agora nenhuma oportunidade tão evidente, tão próxima, que caiu no nosso colo, digamos assim, de impeachment de ministro do STF”, avaliou a juíza aposentada.
Ela comparou a situação a um “cavalo selado”, uma metáfora para uma oportunidade única que não deve ser desperdiçada. “Neste momento, é o cavalo selado que está correndo na nossa frente. Eu sou do argumento de que é melhor montar nesse cavalo selado, garantir o impeachment que caiu no nosso colo”, opinou, defendendo a ação imediata.
Precedente Político e Crítica ao “Pensamento de Derrotado”
Ludmila acredita que a aprovação de um impeachment de um ministro do STF criaria um precedente político importante. “Com esse precedente de um impeachment de ministro do STF dessa nova geração, o Senado pode se sentir um pouco mais encorajado”, apontou. Ela refutou o argumento de que não se deve buscar um impeachment pelo risco de substituição por alguém pior, possivelmente indicado por Lula.
“Eu não considero um argumento muito inteligente. É pensamento de derrotado”, criticou. Para a juíza, a omissão por cálculo estratégico é uma “decisão imoral”. Ela defende a acumulação de vitórias: “Eu preferiria derrubar um, derrubar o segundo, o terceiro, o quarto, e ir acumulando vitória”, declarou.
Posicionamento de Entidades e o Silêncio de Magistrados
Sobre as manifestações recentes da OAB e de atos na USP contra o ativismo judicial, Ludmila reconheceu que, embora essas instituições não possam conter o STF diretamente, elas influenciam o ambiente político. “A OAB não é o freio, claro, não é o corregedor do STF, mas é um baita freio quando resolve se manifestar publicamente”, disse.
Ela observou que o silêncio de associações de magistrados pode ser motivado por medo financeiro, receio de isolamento profissional ou expectativa de vantagens institucionais. “Cada silêncio de cada magistrado do país tem o seu motivo peculiar e eles são variados”, explicou, mencionando que muitos colegas concordam com as críticas, mas temem perder seus cargos e a necessidade de “pagar boleto”.
Disputas na Direita e a Perda de Controle do Bolsonarismo
Abordando o ambiente político à direita, Ludmila comentou as disputas internas e ataques direcionados a Michelle Bolsonaro. Na sua avaliação, o movimento bolsonarista foi “parasitado por esse tipo de desinformante”.
Ela também opinou que o ex-presidente Jair Bolsonaro perdeu o controle sobre o grupo que leva seu nome. “Ele está fazendo uma tentativa absolutamente vã de tentar controlar o movimento que leva o nome dele. O bolsonarismo não pertence mais ao Bolsonaro. Pertence aos sedizentes apoiadores”, lamentou a juíza aposentada.