Lobista Roberta Luchsinger Afirma que Lula Ofereceu Cargo em Governo, Diz Revista
A empresária e lobista Roberta Luchsinger declarou, em conversas interceptadas pela Polícia Federal, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria lhe oferecido uma posição no governo federal. A informação, divulgada pela revista Veja, baseia-se em um relatório da PF que investiga a lobista e Fávio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente.
As mensagens, datadas de 2024, mostram Luchsinger relatando a um empresário que Lula a teria procurado para que ela escolhesse onde gostaria de atuar. A lobista teria respondido que preferia permanecer em sua sociedade com Lulinha e Fernando Bittar, sócios em empreendimentos investigados.
Este caso se insere em um contexto de investigações que tramitam sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF). Roberta Luchsinger foi alvo de busca e apreensão em dezembro de 2025, na Operação Sem Desconto, que apura supostos descontos irregulares em aposentadorias do INSS. A análise de seu celular apreendido pela PF indicou sua atuação em favor de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e sua proximidade com Lulinha.
Investigações e Conexões com Lulinha
Em depoimento à Polícia Federal em maio deste ano, Roberta Luchsinger admitiu ter apresentado Lulinha ao “Careca do INSS”, mas negou ter repassado valores ao filho do presidente. A investigação sobre Luchsinger e suas conexões com Lulinha ganhou força a partir da análise de dispositivos eletrônicos apreendidos.
A situação se agrava com a abertura de múltiplos inquéritos contra Fávio Luís Lula da Silva. Em 30 de julho, o ministro André Mendonça autorizou a abertura do primeiro inquérito para apurar suposto tráfico de influência envolvendo o Ministério da Saúde e a comercialização de canabidiol. Um dia depois, um segundo inquérito foi determinado para investigar suspeitas de tráfico de influência em contratos com a Dataprev, empresa de tecnologia do governo responsável por dados do INSS.
Terceiro Inquérito e Defesa de Lulinha
Em 4 de agosto, o ministro Flávio Dino autorizou a abertura do terceiro inquérito contra Lulinha, também focado em suspeitas de tráfico de influência junto ao governo federal. A defesa de Fávio Luís Lula da Silva, representada pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, tem negado veementemente qualquer irregularidade.
Carvalho chegou a afirmar que parte da Polícia Federal estaria utilizando as investigações contra o filho do presidente como estratégia para “ganhar a eleição no tapetão”. A Gazeta do Povo buscou contato com a assessoria do governo Lula e com a defesa de Roberta Luchsinger para obter posicionamento sobre a suposta oferta de cargo, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações.