Sem Lula, aliados focam em São Paulo e buscam reerguer bandeira sindical após série de derrotas políticas.
O feriado do Dia Internacional do Trabalhador, nesta sexta-feira (1º de Maio), ganha contornos diferentes em 2025. Marcado pela ressaca petista após perdas significativas no Congresso Nacional, os atos tradicionais não contarão com a presença do presidente Lula (PT). Em vez de participar dos eventos, o chefe do Executivo optou por um pronunciamento em rede nacional na quinta-feira (30), repetindo a ausência de 2025.
A ausência de Lula nos atos de 1º de Maio ocorre em um momento delicado para a esquerda, que vem de uma semana de **derrotas históricas no Congresso Nacional**. A articulação política do governo sofreu reveses importantes, impactando diretamente a agenda sindical e a percepção de força do grupo.
Apesar da ausência presidencial, o foco dos aliados se volta para a capital e a região metropolitana de São Paulo, com eventos fragmentados. Figuras importantes do governo e pré-candidatos buscam dar corpo às celebrações, tentando compensar a falta do principal líder. Conforme informação divulgada por fontes ligadas à organização dos eventos, a semana começou com a **rompida tradição de aprovação de indicados ao STF**, pela primeira vez em 132 anos, com a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, articulada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Derrotas Legislativas Abafam Celebrações do Dia do Trabalhador
A semana que antecede o 1º de Maio foi marcada por reveses importantes para a base aliada do governo. O primeiro grande golpe veio com a **rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF)**, quebrando um ciclo de 132 anos de aprovação automática de indicados presidenciais. A articulação pela rejeição foi atribuída ao presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre.
Reestabelecimento da Dosimetria e Perda de Espaço na Paulista
No dia seguinte à derrota no STF, a oposição obteve outra vitória ao **restabelecer o projeto de lei da dosimetria**. Essa medida tem o potencial de **reduzir as penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro** e pelo suposto plano golpista, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Outro revés significativo para o movimento sindical foi a perda da oportunidade de realizar um protesto na Avenida Paulista, uma vez que o grupo Patriotas do QG já havia comunicado à Polícia Militar a intenção de realizar um evento no mesmo local e data desde 2024.
Críticas à Ausência de Lula e a Luta pela Escala 6×1
O deputado federal André Janones (Avante-MG), aliado do governo, criticou publicamente a ausência do presidente Lula nos atos do 1º de Maio. Janones avaliou que o petista **”perde uma oportunidade histórica de convocar manifestações em todo o país”** em torno de uma pauta que, segundo ele, “transcende esquerda e direita”. O parlamentar defende que o momento seria ideal para celebrar o fim da escala 6×1, algo que ele considera a “maior conquista dos trabalhadores desde a promulgação da CLT”.
“Infelizmente, nada disso está acontecendo. O que temos hoje é um Primeiro de Maio apagado, sem força e muito aquém do que a data e o momento histórico mereciam”, lamentou Janones, criticando a perda de chances e a repetição de discursos sobre pesquisas falsas. Em 2025, Lula participou de um evento em Itaquera, que reuniu pouco mais de 1.660 pessoas, o que o levou a criticar o ato como **”mal convocado”**.
Fim da Escala 6×1: Pauta Central em Meio a Debates Econômicos
O 1º de Maio deste ano ocorre em meio à **articulação do governo para aprovar o fim da escala de trabalho 6×1 antes das eleições**. Esta proposta é vista como central para a campanha, mas enfrenta forte resistência do setor produtivo. Estudos divulgados por esse setor indicam potenciais impactos negativos no Produto Interno Bruto (PIB). Por isso, a defesa de uma rejeição total da proposta divide espaço com a argumentação de que o debate sobre a escala 6×1 precisa ser postergado para o próximo mandato.