Sem Lula, atos de 1º de Maio focam em São Paulo em meio a críticas de aliados sobre ausência presidencial.
Marcado pela ressaca petista após duplas derrotas no Congresso Nacional, os atos do Dia Internacional do Trabalhador, nesta sexta-feira (1º), não contarão com a participação do presidente Lula (PT). O chefe do Executivo fez um pronunciamento em rede nacional na quinta-feira (30), mas decidiu não comparecer aos eventos, repetindo o que ocorreu em 2025.
Sem a presença de Lula, o foco dos aliados se concentra na capital e na região metropolitana de São Paulo, em atos fragmentados. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), participa de um evento no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, local que projetou nacionalmente o então sindicalista Lula.
O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato a governador de São Paulo, Fernando Haddad (PT), dividirá seu tempo entre São Bernardo do Campo e um ato da Força Sindical na Liberdade, capital. As pré-candidatas ao Senado, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (MDB), também estarão presentes no bairro paulistano. Conforme informação divulgada, o feriado ocorre após uma semana de significativas derrotas para a esquerda no cenário político nacional.
Derrotas no Congresso abalam a semana da esquerda
A semana começou a ruir para a esquerda quando a tradição de aprovação dos indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) foi quebrada. Pela primeira vez em 132 anos, o Senado votou contra o Planalto, rejeitando o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias. A articulação pela rejeição é atribuída ao presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP).
No dia seguinte, a oposição conseguiu restabelecer o projeto de lei da dosimetria. Esta legislação tem o potencial de diminuir as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro e pelo suposto plano golpista, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Outra derrota decisiva para o Dia do Trabalho deste ano eleitoral foi a perda da oportunidade da Central Sindical e Popular Conlutas (CSP-Conlutas) de realizar um protesto na Avenida Paulista, pois o movimento Patriotas do QG já havia comunicado à Polícia Militar de São Paulo a intenção de realizar um evento no mesmo dia e local desde 2024.
Aliado critica ausência de Lula e prevê um 1º de Maio “apagado”
O deputado federal André Janones (Avante-MG), aliado do presidente, criticou publicamente a ausência de Lula. Segundo ele, o petista “perde uma oportunidade histórica de convocar manifestações em todo o país […] em torno de uma pauta, de uma causa que transcende esquerda e direita”. Janones argumenta que este é “o último Dia do Trabalhador sob a vigência da escala 6×1”.
Para Janones, o presidente deveria enfatizar que um ex-metalúrgico chegou à chefia do Executivo nacional, promovendo “a maior conquista dos trabalhadores desde a promulgação da CLT”. Ele lamentou: “Infelizmente, nada disso está acontecendo. O que temos hoje é um Primeiro de Maio apagado, sem força e muito aquém do que a data e o momento histórico mereciam. As chances estão passando uma por uma, a gente perdendo todas, e repetindo que as pesquisas são falsas e que a eleição está batida, igual estava batida a indicação do Messias”.
Lula já criticou eventos “mal convocados” em anos anteriores
Em 2024, o presidente participou de um evento na Neo Química Arena, em Itaquera, zona leste de São Paulo, que reuniu pouco mais de 1.660 pessoas. A baixa adesão irritou Lula, que fez uma cobrança pública ao então ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macêdo.
“Vocês sabem que ontem eu conversei com ele sobre esse ato e eu disse para ele: ‘Márcio, o ato está mal convocado. O ato está mal convocado. Nós não fizemos o esforço necessário para levar a quantidade de gente que era preciso levar'”, criticou o presidente na ocasião. O 1º de maio deste ano ocorre em meio à articulação do governo para aprovar, antes das eleições, o fim da escala de trabalho 6×1, uma proposta vista como central para a campanha, mas que enfrenta críticas do setor produtivo.