Lula busca "shalom" com judeus para 2026: Entenda a reviravolta após críticas a Israel e o risco de "memória curta"

Lula busca “shalom” com judeus para 2026: Entenda a reviravolta após críticas a Israel e o risco de “memória curta”

Resumo

A comunidade judaica e o “shalom” eleitoreiro de Lula: campanha de 2026 já acende o debate sobre reaproximação após tensões com Israel.

A proximidade das eleições de 2026 tem impulsionado uma notável mudança de tom na política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação à comunidade judaica brasileira. Após um período marcado por críticas contundentes a Israel e ao sionismo, que por vezes foram equiparadas a discursos antissemitas, o governo petista demonstra um interesse renovado em “reconstruir pontes” com este segmento da população.

A estratégia se manifestou com a escalada da ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, em uma missão de aproximação. Na véspera do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, Evaristo visitou instituições judaicas em São Paulo, em um esforço para “quebrar o gelo” e reverter um cenário de distanciamento que parecia consolidado.

A aposta do Palácio do Planalto, conforme análises, reside na esperança de uma “memória curta” por parte de alguns integrantes da comunidade e na afinidade ideológica preexistente com judeus “progressistas”, que já demonstraram apoio ao presidente em eleições passadas. Essa iniciativa, segundo fontes, visa capturar votos cruciais em um pleito que se anuncia acirrado. Conforme aponta a fonte, as declarações e ações de Lula desde os atentados do Hamas em outubro de 2023 e a subsequente reação israelense em Gaza abalaram a relação com a comunidade judaica.

O peso da comunidade judaica no cenário político

Embora a comunidade judaica represente um contingente relativamente pequeno no Brasil, com cerca de 120 mil pessoas, sua influência no debate público e na formação de opinião é significativa. Especialmente entre a classe média de grandes centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro, a comunidade judaica contribui para moldar a percepção social sobre temas nacionais importantes, incluindo o processo eleitoral.

A postura anti-Israel de Lula durante o conflito em Gaza também impactou sua popularidade junto ao eleitorado evangélico, um grupo demográfico com cerca de 30% da população e com potencial decisivo nas urnas. A estratégia eleitoral do governo, segundo a fonte, é fortemente influenciada por seu departamento de marketing e pela busca por votos, o que explicaria o recente movimento em direção à comunidade judaica.

Críticas contundentes e a comparação com o Holocausto

A lista de declarações e ações de Lula consideradas hostis a Israel e aos judeus é extensa. Um dos episódios mais polêmicos ocorreu em fevereiro de 2024, durante a cúpula da União Africana, quando o presidente comparou as ações militares de Israel em Gaza ao Holocausto. “O que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus”, afirmou Lula.

Essa comparação gerou forte repúdio internacional, incluindo do governo israelense e de entidades judaicas globais e brasileiras. A declaração, vista como “excessiva” ou “falsa” pela maioria dos brasileiros, segundo pesquisas, desencadeou uma crise diplomática. Israel declarou Lula persona non grata até que ele se retratasse, o que não ocorreu, levando à retirada do embaixador brasileiro e ao rebaixamento do nível das relações diplomáticas entre os dois países.

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) acusou Lula de alimentar o antissemitismo e o ódio aos judeus, apontando um aumento exponencial de ataques e discursos de ódio contra judeus brasileiros após suas falas. Em resposta, Lula reiterou sua posição, classificando as críticas como “vitimismo” e insistindo que o que ocorre em Gaza é um “genocídio”.

Gestos simbólicos e a diplomacia sob influência ideológica

O governo Lula também foi criticado pela demora em receber familiares de judeus brasileiros sequestrados pelo Hamas, em contraste com a recepção dada a brasileiros vindos de Gaza. A nota oficial sobre as mortes de três judeus brasileiros nos atentados foi descrita como “lacônica”, e a recuperação do corpo do refém Michel Nisenbaum foi tratada com “timidez”.

Em foros internacionais, a diplomacia brasileira atuou alinhada à visão ideológica do governo, apoiando a denúncia da África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça por “genocídio”. O Brasil também se desligou formalmente da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA). Além disso, o país manteve e ampliou seus aportes à Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA), mesmo diante de evidências de uso de suas instalações pelo Hamas.

A postura do governo também se manifestou no apoio a um “cessar-fogo incondicional” em Gaza, o que, segundo a fonte, representaria uma garantia de sobrevivência para o Hamas. A primeira-dama, Janja da Silva, utilizou vestimentas com símbolos palestinos, enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin foi fotografado ao lado de líderes do Hamas e Hezbollah em Teerã, em um gesto simbólico de apoio ao chamado “Eixo do Mal”.

A improbabilidade de um “shalom” genuíno

Diante desse histórico, a fonte sugere que as chances de Lula iludir a comunidade judaica brasileira e obter seu apoio em 2026 são consideradas “quase nulas”. A tentativa de um “shalom” eleitoreiro é vista como uma estratégia oportunista e dissimulada, que dificilmente convencerá a maioria dos judeus brasileiros, independentemente de suas inclinações ideológicas.

A diversidade de opiniões dentro da comunidade judaica é reconhecida, mas o artigo questiona a possibilidade de aceitação do “shalom” de Lula após as demonstrações de hostilidade. A aposta do governo em uma suposta “memória curta” é posta em xeque diante da gravidade das declarações e ações que abalaram profundamente as relações.

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