Lula criticou "sectarismo negacionista" ao celebrar vacina da dengue do Butantan, antes de suspensão

Lula criticou “sectarismo negacionista” ao celebrar vacina da dengue do Butantan, antes de suspensão

Resumo

Lula celebrou vacina da dengue do Butantan e criticou “sectarismo negacionista” antes de sua suspensão

Quatro meses antes de o Ministério da Saúde suspender a vacinação contra a dengue com o imunizante do Instituto Butantan, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou o produto como um marco da ciência brasileira. Na ocasião, Lula criticou aqueles que, mesmo com o aval das instituições de saúde, mantêm desconfiança em relação às vacinas.

A declaração ocorreu em 9 de fevereiro, durante visita ao Instituto Butantan, em São Paulo. Na cerimônia, o governo anunciou investimentos de R$ 1,4 bilhão no instituto e participou do início da campanha de vacinação de profissionais de saúde da atenção primária do SUS contra a dengue com a Butantan-DV, apresentada como uma vacina “100% nacional”.

No discurso, Lula fez uma defesa enfática da vacinação, comemorando o fato de o Butantan celebrar “a primeira vacina contra a dengue do mundo”, definida por ele como “uma coisa nossa, criada por nós, pesquisada por nós”. Na mesma solenidade, Lula afirmou que o mundo vivia um “sectarismo negacionista”. Conforme informação divulgada na época, o presidente fez um apelo para que aqueles que desconfiam das vacinas voltassem a aderir às campanhas de vacinação.

Lula defende vacinação e critica desinformação

“É difícil convencer a sociedade a voltar a tomar vacina, como havia antigamente. Nós temos que ter a obrigação de não desanimar, de fazer campanha, de falar na escola, que os professores falarem, os pastores falarem, os padres falarem, os políticos falarem, até que a gente convença as pessoas de que tomar vacina significa evitar a possibilidade de que em algum momento a natureza possa atrapalhar a vida de uma pessoa”, disse o presidente.

Esta não foi a única vez em que Lula criticou a desconfiança em relação a vacinas. Em dezembro de 2023, o presidente defendeu a criminalização de quem disseminasse informações falsas sobre a segurança e efetividade de imunizantes.

“É necessário criminalizar a pessoa que está contando mentiras sobre uma questão tão importante que é a gente vacinar o povo brasileiro, sobretudo as crianças”, disse Lula em seu programa semanal no Canal Gov. Na mesma ocasião, ele afirmou que, diante de um “facínora qualquer” que fizesse “propaganda contrária”, seria preciso processá-lo criminalmente, “porque não tem outra saída para você lidar com gente desse tipo, negacionista”.

Suspensão da vacina da dengue pelo Ministério da Saúde

Nesta segunda-feira, o Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da imunização contra a dengue com o produto do Butantan. Segundo o governo federal, a medida foi tomada após o registro de dois óbitos suspeitos e três casos graves em pessoas vacinadas.

De acordo com a pasta, cerca de 500 mil doses haviam sido aplicadas. Nesse universo, foram registrados 42 casos de reações severas possivelmente relacionadas à vacina. Entre eles, três foram considerados graves, com dois óbitos sob investigação.

Causalidade ainda em investigação

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que ainda não há dados suficientes para estabelecer relação de causalidade entre a vacina e os casos graves. Mesmo assim, disse que os episódios representavam um “sinal de alerta” e que a decisão de suspender a estratégia havia sido recomendada de forma consensual pelo comitê de farmacovigilância.

A suspensão não significa necessariamente que a vacina tenha causado as mortes. O caso está sob investigação para determinar a relação entre o imunizante e os eventos adversos reportados.

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