Lula busca “sobrevida” eleitoral com votações importantes no Congresso na semana que antecede as eleições. Governo aposta em medidas de forte apelo popular para reforçar a campanha de reeleição.
Em um cenário de disputa presidencial acirrada, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentra seus esforços na articulação política para aprovar, nesta semana decisiva no Congresso Nacional, medidas com grande potencial de impacto eleitoral. A estratégia visa capitalizar o apoio popular e fortalecer a imagem do presidente em um momento crucial da corrida pela reeleição.
As prioridades incluem o fim da chamada “taxa das blusinhas”, a redução da jornada de trabalho na escala 6×1 e a aprovação da PEC da Segurança Pública. Estas pautas, com forte apelo popular, são vistas pelo Planalto como essenciais para consolidar a base de apoio e conquistar eleitores indecisos.
A expectativa é que o Congresso Nacional realize um esforço concentrado de votações a partir desta segunda-feira (31), buscando aprovar as propostas antes do primeiro turno das eleições. Conforme informações divulgadas, o governo aposta na aprovação da medida provisória que zera o Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50 como um trunfo eleitoral.
Fim da “Taxa das Blusinhas” como Aposta Eleitoral
A principal aposta do governo para atrair votos é a Medida Provisória (MP) que zera o Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50. Lula pretende transformar a aprovação desta medida em um ativo eleitoral na disputa pela reeleição. A comissão mista que analisa a MP já elegeu o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) como presidente e a senadora Leila Barros (PDT-DF) como relatora, que apresentará seu parecer na segunda-feira.
A MP 1.357/2026 altera as regras do Regime de Tributação Simplificada, zerando o imposto para compras de até US$ 50 e estabelecendo uma alíquota de até 30% para remessas de até US$ 3 mil. A proposta precisa ser aprovada pelo Congresso até 8 de setembro, sob o risco de a cobrança de 20% sobre compras internacionais ser retomada em 9 de setembro. A previsão é que a MP seja votada na Câmara já na segunda-feira, após a análise pela comissão mista.
Redução da Jornada 6×1: Outra Prioridade com Apelo Popular
Outra frente de atuação do governo é a aprovação no Senado da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A proposta já conta com parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), apresentado pelo senador Omar Aziz (PSD-AM). A expectativa é que a CCJ analise a proposta na próxima semana e, caso aprovada, a encaminhe ao plenário.
O avanço da PEC ocorre após uma reaproximação entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que se reuniram para definir as prioridades do esforço concentrado. O fim da escala 6×1 é visto como uma entrega de forte apelo popular às vésperas da eleição, com a intenção de acelerar sua tramitação para o plenário.
PEC da Segurança Pública: Integração e Cooperação Federativa
A PEC da Segurança Pública também figura entre os temas prioritários para votação no Senado. O relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), apresentou parecer favorável, mantendo o texto aprovado pela Câmara em março. A proposta visa maior integração entre os órgãos de segurança pública e a cooperação federativa no combate ao crime organizado.
Caso aprovada pelos senadores, Lula deverá editar uma medida provisória para recriar o Ministério da Segurança Pública. Nomes como Andrei Rodrigues (PF), Chico Lucas (Secretário Nacional de Segurança Pública) e Jean Francisco Bezerra Nunes (Secretário de Segurança da Paraíba) são cotados para comandar a nova pasta.
A articulação política ocorre em um momento em que o governo busca acelerar medidas com potencial de impacto eleitoral. Uma pesquisa recente da Quaest, divulgada em 14 de agosto, mostrou Lula com 43% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro (PL) com 40% em um eventual segundo turno, configurando um empate técnico dentro da margem de erro.