Lula prioriza democracia e retorno de venezuelanos, distanciando-se do foco em Maduro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quinta-feira (5) que a principal preocupação em relação à Venezuela não é a permanência de Nicolás Maduro no poder, mas sim o fortalecimento da democracia no país.
Lula enfatizou que a questão central é se existe a possibilidade de consolidar a democracia venezuelana e, consequentemente, viabilizar o retorno de cerca de 8 milhões de venezuelanos que deixaram o país. Ele questionou se as condições para o respeito efetivo à democracia estão presentes.
As declarações foram dadas em entrevista à colunista Daniela Lima, do UOL. O presidente também comentou sobre a possibilidade de eleições no país, ressaltando que a responsabilidade pelo processo eleitoral deve ser dos próprios venezuelanos, e mencionou ter discutido o tema com o então presidente dos EUA, Donald Trump.
María Corina Machado vislumbra eleições democráticas em menos de um ano
A líder opositora venezuelana, María Corina Machado, também se manifestou nesta quinta-feira, indicando a possibilidade de a Venezuela realizar eleições democráticas em um prazo inferior a um ano. Machado, que foi reconhecida com o Prêmio Nobel da Paz em 2025 e está em visita aos Estados Unidos, afirmou que um processo de transição real, com votação manual, poderia ser concluído entre nove e dez meses.
Apesar do otimismo quanto ao prazo, Machado ressaltou que a implementação dependerá do momento de início do processo. Ela mencionou que ainda não discutiu esses detalhes especificamente com o presidente americano Donald Trump, mas a perspectiva de eleições avança.
Lula alerta contra conflitos e defende América do Sul como zona de paz
Em sua entrevista ao UOL, o presidente Lula reforçou que a América do Sul não pode se tornar palco de mais um conflito armado, contrastando com situações observadas em outras partes do mundo. Ele destacou que a região não possui armas nucleares e que o anseio é pelo crescimento econômico.
O foco, segundo Lula, está em fortalecer o processo democrático e melhorar a vida dos latino-americanos. O presidente enfatizou que a América Latina não pode permanecer como uma região pobre do globo, buscando um futuro de desenvolvimento e estabilidade para seus países.