Lula enfrenta o desafio de consolidar apoios no Sudeste, onde sua avaliação despenca e alianças se mostram complexas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensifica seus esforços para construir palanques políticos robustos no Sudeste. A região, que representa quase metade do eleitorado brasileiro, tem apresentado um aumento na reprovação ao governo federal, pressionando o PT a buscar alianças estratégicas para mitigar possíveis perdas nas próximas eleições.
Pesquisas recentes indicam um cenário preocupante para o governo federal na área. Um levantamento da Genial/Quaest, divulgado em janeiro, mostrou que o saldo entre aprovação e desaprovação do governo Lula no Sudeste dobrou em um mês, alcançando 16 pontos percentuais negativos. Enquanto 40% dos entrevistados aprovam o presidente, 56% desaprovam sua gestão.
A pesquisa Genial/Quaest foi realizada presencialmente entre os dias 8 e 11 de janeiro, com 2.004 entrevistados em todo o país, apresentando margem de erro de dois pontos percentuais. Os resultados sinalizam a necessidade de ações concretas para reverter a tendência de queda na popularidade do presidente na região. Conforme informação divulgada pela pesquisa Genial/Quaest, nomes ligados à direita, como Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, aparecem à frente de Lula em simulações de primeiro turno no Sudeste.
São Paulo: Prioridade Máxima na Busca por um Palanque Competitivo
Diante desse cenário, São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, com 22% do eleitorado nacional, tornou-se uma prioridade absoluta para Lula. O objetivo é garantir um palanque competitivo que possa impulsionar sua candidatura em 2026. No entanto, o governador Tarcísio de Freitas já sinalizou sua intenção de disputar a reeleição, com apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, que deve contar também com o apoio do prefeito Ricardo Nunes.
Lula tem buscado convencer o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a disputar o governo de São Paulo, apesar da resistência do auxiliar. Haddad, que já enfrentou derrotas eleitorais no estado e prefere atuar na coordenação nacional da campanha, manifestou que está conversando com o presidente sobre o assunto. Ele cogita deixar o ministério em fevereiro para se dedicar à campanha presidencial. “Eu estou conversando com o presidente sobre isso [eleição em São Paulo]. Vamos ver quem convence quem. Eu gostaria de participar da campanha do presidente. É isso que eu acho que vou fazer de melhor”, disse Haddad.
Caso Haddad não aceite o desafio, outras alternativas dentro do governo são consideradas, como o vice-presidente Geraldo Alckmin, que já indicou não ter interesse em concorrer ao governo paulista, preferindo permanecer na chapa presidencial. A ministra Simone Tebet estuda transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo e até mudar de partido para viabilizar uma possível candidatura. Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, também demonstrou disposição para integrar a chapa, mas como candidata ao Senado, visando ampliar o arco de alianças.
Minas Gerais: Indefinição e Impasses Políticos Agravam o Cenário
Em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral, a situação é ainda mais complexa. Inicialmente, Lula defendia a candidatura do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, mas o projeto perdeu força, e o Planalto busca novas opções. Nomes como o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, e o presidente da Assembleia Legislativa mineira, Tadeu Leite, estão sendo ventilados.
A cúpula petista também discute a formação de uma chapa com Kalil e a prefeita Marília Campos, como candidatas ao Senado. O presidente do PT, Edinho Silva, esteve em Belo Horizonte para conversar com Kalil e avaliar a possibilidade de reconstruir alianças anteriores. A avaliação é que, mesmo sem empolgar a base petista, Kalil poderia ajudar a construir uma ampla coalizão no centro político.
A preferência de Lula por Pacheco para o governo estadual gerou um impasse na indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF), onde Jorge Messias foi escolhido em vez de Pacheco. Além disso, Pacheco depende de um partido para se lançar na disputa eleitoral. Ele estaria insatisfeito com a direção do PSD em Minas Gerais e pode deixar a sigla.
Rio de Janeiro: Aliança com Eduardo Paes Sob Cautela e Sucessão Estadual Incerta
No Rio de Janeiro, a aliança entre Lula e o prefeito Eduardo Paes é vista com cautela. A relação esfriou após gestos do prefeito à direita e críticas públicas de sua equipe ao governo federal. Embora tenham se reunido recentemente para restabelecer o diálogo, petistas avaliam que a alta desaprovação do presidente no estado pode levar Paes a um engajamento mais tímido na campanha nacional.
A sucessão estadual também adiciona complexidade. Com a possível saída do governador Cláudio Castro para disputar o Senado, o Rio pode ficar sem governador. A Assembleia Legislativa deverá realizar uma eleição indireta para um mandato tampão, o que pode redesenhar alianças para 2026. Petistas discutem lançar nomes próprios, enquanto aliados de Paes buscam uma solução negociada.
Rejeição Eleitoral: Fator Decisivo para o Sucesso no Sudeste
Integrantes do PT admitem que, diante do cenário adverso, será crucial reduzir a margem de derrota no Sudeste, além de vencer em redutos tradicionais como o Nordeste. Analistas apontam que a deterioração dos índices regionais torna a montagem dos palanques estaduais ainda mais sensível.
Segundo Emanoelton Borges, CEO da Alfa Inteligência, a rejeição se consolidou como um elemento central na decisão eleitoral. Em disputas polarizadas e com percentuais apertados, a rejeição se torna determinante para o resultado final. Compreender esse comportamento será decisivo para as estratégias no Sudeste, focando em não afastar o eleitor indeciso, em vez de apenas mobilizar bases ideológicas fiéis.