Presidente Lula busca derrubar barreiras na Coreia do Sul para o agro brasileiro, destacando pujança e criticando protecionismo
Em visita oficial à Coreia do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta segunda-feira (23) uma maior entrada de produtos agropecuários brasileiros no mercado sul-coreano. Lula busca romper o forte protecionismo do país asiático, que impõe barreiras sanitárias, especialmente à carne bovina, visando proteger seus produtores locais.
Durante sua estadia em Seul, Lula participou de um fórum empresarial e assinou dez acordos bilaterais. O foco principal, no entanto, foi abrir negociações para expandir a presença do agronegócio brasileiro. O presidente enfatizou a capacidade produtiva do Brasil e sua prontidão para suprir a demanda coreana, caso as restrições sejam flexibilizadas.
Conforme informação divulgada na ocasião, Lula declarou: “Eu vou fazer um pouco de ‘esnobar’ aqui o que o meu pessoal da agricultura sempre esnoba. É importante que vocês saibam que o Brasil é um grande vendedor de carne; o Brasil é um grande vendedor de frango; o Brasil vende muito carne de porco, o Brasil vende muito ovos para Coreia, inclusive”. A declaração foi feita durante o encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul, ao lado do ministro sul-coreano de Comércio, Indústria e Recursos, Kim Jung-kwan.
Brasil se posiciona como gigante na produção de proteína animal
O presidente Lula ressaltou o vasto tamanho da produção pecuária brasileira, afirmando que o país está **pronto para atender à demanda da Coreia do Sul**. Ele alertou que, sem a liberação das barreiras, os próprios coreanos podem estar consumindo produtos brasileiros sem saber, dada a presença nacional em cadeias produtivas globais.
“Vocês correm o risco se comprar carne dos Estados Unidos, estarão comprando carne brasileira. Se comprar carne da Austrália, estarão comprando carne brasileira. Se eu comprar carne da Nova Zelandia, também estarão comprando carne brasileira”, exemplificou. Lula destacou que o Brasil está presente globalmente, produzindo proteína para atender à demanda de consumidores que buscam qualidade e saúde.
Crítica ao protecionismo e defesa do multilateralismo
Além da defesa do agronegócio, Lula também abordou a importância da **parceria comercial entre a Coreia do Sul e o Mercosul**. Ele criticou indiretamente os Estados Unidos por forçar acordos unilaterais, reforçando a necessidade do multilateralismo no comércio internacional.
“Eu acredito muito que não é possível, no primeiro quarto do século 21, a gente entender que o multilateralismo não tem mais sentido. A tentativa de acabar com o multiteralismo. A tentativa de votar a coisa, que nós não queremos que volte, o protecionismo para dificultar a economia dos países a crescer. Não existe justificativa”, declarou o presidente.
Acordos bilaterais e potencial de cooperação tecnológica e cultural
Durante a visita, Lula e o presidente coreano Lee Jae Myung assinaram acordos comerciais e estabeleceram um plano de quatro anos para fortalecer as relações bilaterais em áreas como política, economia e intercâmbios. Atualmente, o comércio entre Brasil e Coreia do Sul atingiu **US$ 10,8 bilhões no ano passado**, com um superávit de US$ 174 milhões para o Brasil.
Os líderes destacaram outras áreas de potencial cooperação, como alta tecnologia, indústria da beleza e o setor audiovisual, que têm apresentado forte crescimento no Brasil. O presidente sul-coreano mencionou que o turismo brasileiro na Coreia do Sul cresceu 25% nos últimos anos, impulsionado também pela troca cultural.
“Há amplo espaço para cooperação em segmentos de alta tecnologia, como semicondutores e inteligência artificial. Setores que vão da indústria de beleza ao audiovisual podem ser potencializados por novas parcerias”, afirmou Lula. Ele também celebrou a influência cultural brasileira, citando a música, como o funk e o K-Pop, e produções audiovisuais que conquistam o mundo.
Coreia do Sul é um dos principais investidores asiáticos no Brasil
A Coreia do Sul é um parceiro comercial estratégico para o Brasil, com investimentos significativos na indústria de transformação. Desde 2024, foram cerca de US$ 8,8 bilhões em aportes sul-coreanos no país.
“O Brasil é o maior destino de investimentos coreanos na América Latina há anos. Empresas como Samsung, Hyundai e LG estão presentes em lares brasileiros. A Coreia já é o quarto maior investidor asiático no país, com estoque de investimentos de nove bilhões de dólares. Esse volume tem potencial para crescer”, concluiu o presidente.