Advogados de Lulinha questionam autenticidade de mensagens vazadas e acionam a Polícia Federal
A defesa do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, protocolou uma notícia de fato na Polícia Federal. O objetivo é apurar o vazamento de mensagens que fazem parte de investigações sobre um suposto tráfico de influência. Os advogados expressam dúvidas sobre a veracidade do conteúdo divulgado e classificam o uso das informações como “criminoso”.
“Não sabemos sequer se estas mensagens são verdadeiras, isso é prematuro dizer, mas estão sendo usadas de maneira criminosa e leviana, para caluniar, difamar e injuriar”, declarou o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha e também atua na campanha de reeleição do atual governo. A representação foi assinada por Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, ambos do grupo de juristas Prerrogativas.
Eles solicitam uma investigação sobre a “cadeia de custódia das provas”, argumentando que o material, protegido por segredo de justiça, não deveria ter chegado à imprensa. As mensagens vazadas integram inquéritos das operações Sem Desconto e Compliance Zero, relacionadas a escândalos envolvendo o INSS e o caso Master. Conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Suspeitas de uso eleitoral e abuso de poder
A representação cita nominalmente integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro à presidência, incluindo o coordenador Rogério Marinho, o candidato a vice Alfredo Gaspar e o próprio Flávio Bolsonaro. A defesa aponta para uma **possível utilização eleitoral do material sigiloso**, levantando a hipótese de abuso de poder político. A reportagem buscou contato com representantes da campanha do PL, que rebateu as acusações, defendendo a investigação imparcial dos fatos.
Os advogados pedem a identificação de todos que tiveram acesso ao conteúdo, seja na Polícia Federal, no Supremo Tribunal Federal (STF) ou na CPMI do INSS. Um pedido similar já havia sido feito pelo ministro do STF André Mendonça há cinco dias. As investigações sobre o filho do presidente são vistas como um constrangimento para o Palácio do Planalto e podem impactar as pretensões de reeleição de Lula.
Diligências solicitadas e possíveis crimes investigados
Entre as diligências solicitadas estão o levantamento de registros eletrônicos, imagens e acessos à sala-cofre da comissão. Pede-se também a realização de perícia para determinar a origem exata dos conteúdos divulgados. A representação enfatiza que “nenhuma medida se dirige a jornalistas ou pretende identificar fontes da imprensa”.
O documento alega que membros da campanha de Flávio Bolsonaro anunciaram ou usaram informações relacionadas ao material sigiloso durante o período eleitoral. Além da apuração de crimes como violação de sigilo e quebra de segredo de justiça, os advogados solicitam o envio de cópia ao Procurador-Geral Eleitoral para investigar “eventual abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação”.
Inquéritos contra Lulinha
Atualmente, Lulinha é investigado pela PF em três inquéritos. As apurações buscam esclarecer um suposto uso da influência do pai para representar interesses particulares, como a viabilização de um contrato entre uma empresa do setor de canabidiol e o Ministério da Saúde. O objetivo seria fornecer medicamentos à base da substância para o SUS, um negócio que, contudo, nunca foi concretizado.
Nota da campanha de Flávio Bolsonaro
A campanha de Flávio Bolsonaro emitiu uma nota afirmando que “não se pode admitir que uma denúncia seja utilizada como instrumento de disputa eleitoral ou para criar suspeitas contra adversários políticos sem que existam fatos que as sustentem”. A nota acrescenta que, se há dúvidas sobre a cadeia de custódia de documentos sigilosos, estas devem ser investigadas pelas autoridades competentes de forma técnica, imparcial e transparente, e não transformadas em narrativa política.
A campanha também considera “questionável a iniciativa da representação por parte do advogado Marco Aurélio de Carvalho, fundador do grupo Prerrogativas e coordenador da campanha do presidente Lula em São Paulo, levando à evidente conflito de interesses no contexto eleitoral em que ocorre”.
A nota finaliza questionando a escolha do destinatário da representação, sugerindo que, se a alegação envolve provas e informações relacionadas às investigações sobre o INSS, a medida deveria ter sido submetida ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, e não à Polícia Federal. Conclui-se que é preciso “separar investigação de militância política”, e que a PF e o STF devem atuar com independência, sem serem instrumentalizados por interesses eleitorais.