Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, aponta Brasil de Lula como exceção em sua lista de países amigos na América Latina, ao lado de Cuba, Venezuela e Colômbia.
A declaração do Secretário de Estado americano, Marco Rubio, de que o Brasil, sob a gestão de Lula, não se alinha com os países amigos dos Estados Unidos na América Latina, gerou forte reação. Rubio incluiu o Brasil na mesma categoria de Cuba, Venezuela e Colômbia, uma classificação inédita que provocou indignação em Brasília.
Celso Amorim, assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, reagiu com veemência, comparando a fala de Rubio a períodos de forte tensão diplomática, mas ressaltando que, mesmo em momentos de conspiração histórica, o Brasil nunca foi formalmente excluído da lista de países amigos pelos EUA.
No entanto, a análise de Rubio parece ir além de declarações pontuais. Fontes indicam que a afirmação se baseia em um histórico de posicionamentos e ações do governo Lula e de seus aliados que contrariam os interesses e valores americanos. Conforme informação divulgada, a fala de Rubio ocorreu logo após declarações de Lula classificando o Secretário de Estado como “inimigo mortal de Cuba”, “anti-América Latina” e “não gosta do Brasil”, além de chamar Rubio de “latino-americano frustrado”.
O Histórico de Antiamericanismo do PT e do Governo Lula
A relação entre o Partido dos Trabalhadores (PT) e os Estados Unidos é marcada por um histórico de desconfiança e antagonismo desde a fundação do partido em 1980. A criação do Foro de São Paulo, em parceria com Fidel Castro, em 1990, tinha como um de seus objetivos explícitos servir como contraponto à hegemonia americana na região.
Durante os governos petistas, essa postura se manteve. A aproximação com regimes como o do Irã e a participação na formação do bloco Brics, ao lado de Rússia e China, são vistos como movimentos para reforçar o chamado “Sul Global”, uma estratégia que Washington interpreta como um desafio direto à sua influência.
Declarações Inflamatórias e Ações Contrárias aos EUA
As declarações de Lula contra o governo Trump, incluindo chamá-lo de “imperador” e “senhor da guerra”, e as críticas às ações americanas em relação ao Irã, Venezuela e Cuba, reforçam a percepção de distanciamento. A recusa em participar de iniciativas como o “Escudo das Américas” e o Conselho da Paz, propostas por Trump, também evidenciam divergências significativas.
Adicionalmente, o Brasil sob Lula tem buscado fortalecer a Celac como alternativa à OEA, buscando reduzir a influência dos EUA na região. A revogação de vistos para assessores americanos e a expulsão de um agente de imigração, vistas como retaliações, também adicionam lenha na fogueira das tensões diplomáticas.
Divergências em Questões de Segurança e Comércio
Outro ponto de atrito reside em questões de segurança e comércio. A classificação de grupos como o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas pelo governo americano diverge da abordagem brasileira. Além disso, o Brasil enfrenta a ameaça de tarifas americanas sobre seus produtos, um ponto crucial para a economia nacional que exige negociações delicadas.
Diante desse cenário de declarações hostis, ações diplomáticas contrárias e divergências em temas sensíveis, a avaliação de Marco Rubio de que o Brasil de Lula não se encaixa na categoria de país amigo dos Estados Unidos na América Latina ganha contornos de uma análise baseada em fatos e histórico, e não apenas em reações pontuais.