Ministro André Mendonça alerta sobre "tentações financeiras" e "poder político" em culto, após assumir inquérito do Banco Master

Ministro André Mendonça alerta sobre “tentações financeiras” e “poder político” em culto, após assumir inquérito do Banco Master

Resumo

Ministro do STF, André Mendonça, alerta sobre perigos da “cobiça” e do “poder político” em sermão, em meio a polêmicas no STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça proferiu um sermão alertando sobre as “tentações financeiras” e o “poder político”, em um culto na Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em São Paulo. A pregação, divulgada em seu perfil oficial no Instagram, ocorreu em um momento de intensificado escrutínio sobre a atuação de ministros da Corte, especialmente após Mendonça assumir a relatoria do inquérito do Banco Master.

Durante a cerimônia religiosa, o magistrado, que também é pastor, traçou um paralelo entre as três tentações de Jesus Cristo no deserto e os desafios enfrentados pela igreja. Ele enfatizou a importância de não se deixar guiar pela “cobiça” e por “propostas tentadoras no aspecto financeiro”, ressaltando que o coração humano pode desejar mais do que o divino pretende oferecer. Conforme informação divulgada pelo próprio ministro, essas reflexões foram feitas em um contexto de “tentações do poder”.

A fala de Mendonça ganha destaque em virtude de sua nova função como relator do inquérito envolvendo o Banco Master. O caso gerou controvérsias, levando o ministro Dias Toffoli a deixar a relatoria após menções em seu nome serem encontradas em um celular apreendido. Além disso, investigações revelaram relações de parentes de Toffoli com pessoas ligadas ao banco e um contrato milionário entre a instituição e o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes. A divulgação dessas informações, conforme apurado pela imprensa, ampliou a atenção sobre os integrantes da Corte.

Os paralelos entre as tentações divinas e os desafios terrenos

Em sua pregação, André Mendonça comparou as tentações de Jesus Cristo no deserto com as “três tentações do poder” que, segundo ele, a igreja enfrenta: financeira, política e espiritual. “Não se submeta às propostas tentadoras no aspecto financeiro. E cuidado, porque o nosso coração pode desejar mais do que Deus quer nos dar”, aconselhou o ministro aos fiéis.

A busca pelo poder e a importância da orientação divina

O ministro também abordou a segunda tentação, relacionada ao “poder político e institucional”. Mendonça explicou que, embora o poder possa ser uma bênção quando “guiado por Deus”, torna-se uma “tentação do diabo” quando desassociado de princípios e valores. “Meu conselho a você, não busque o poder, não busque os holofotes, busque a Deus, busque agradar Deus e tente discernir cheio do espírito o que é proposta e propósito de Deus e o que é propósito do seu coração, da sua vaidade e do que o diabo colocou no seu coração”, declarou.

O controle dos desejos e a busca pela santidade

A terceira tentação, segundo o ministro, reside no “poder espiritual”. Ele alertou para o perigo de atender aos próprios desejos, vaidade e cobiça, e de almejar honras humanas. “Não atenda ao seu próprio coração, aos seus próprios desejos, à sua própria vaidade, à sua cobiça. Não almeje o poder e a honra humana. Se encha do Espírito Santo”, recomendou Mendonça, incentivando a busca pela plenitude do Espírito Santo.

Mendonça assume a relatoria do inquérito do Banco Master

André Mendonça assumiu a relatoria do inquérito do Banco Master no STF no dia 12 de outubro. Desde então, ele já se reuniu duas vezes com os delegados responsáveis pela investigação. Em sua primeira audiência, o ministro solicitou um balanço das ações já realizadas e dos próximos passos. Na segunda reunião, ocorrida no dia 23 de outubro, a Polícia Federal apresentou um panorama sobre o andamento do caso.

No dia 19 de outubro, Mendonça determinou a retomada do “fluxo ordinário” de perícias e depoimentos no caso, revertendo uma decisão anterior do ministro Dias Toffoli. Inicialmente, Toffoli havia determinado o lacre e armazenamento de todos os materiais apreendidos na sede do STF. Após recursos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR), e diante das críticas recebidas, Toffoli recuou e autorizou o envio do material para a PGR, permitindo apenas que quatro peritos da PF acompanhassem a extração dos dados.

O histórico de André Mendonça e a indicação ao STF

André Mendonça foi indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2021, então como advogado-geral da União. Bolsonaro havia prometido indicar um ministro “terrivelmente evangélico” para a Corte. Em 2019, ele declarou: “O Estado é laico, mas nós somos cristãos. Esse espírito deve estar presente em todos os Poderes. Por isso, meu compromisso: poderei indicar dois ministros para o Supremo Tribunal Federal; um deles será terrivelmente evangélico”.

A sabatina de Mendonça na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, presidida na época por Davi Alcolumbre, enfrentou atrasos. Alcolumbre, que defendia a indicação de Augusto Aras para o STF, demorou mais de quatro meses para marcar a audiência. Esse episódio levou Mendonça, em novembro do ano passado, a declarar apoio ao atual chefe da AGU, Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mendonça expressou o desejo de que outros indicados com bons princípios não passem por dificuldades semelhantes às que ele enfrentou em sua sabatina.

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