Ministro do STF André Mendonça destina lucros de empresa a dízimo e obras sociais após polêmica

Ministro do STF André Mendonça destina lucros de empresa a dízimo e obras sociais após polêmica

Resumo

Ministro André Mendonça anuncia destinação integral de lucros de sua empresa para dízimo e ações sociais

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, divulgou em suas redes sociais uma decisão pessoal sobre os lucros de sua empresa, o Instituto Iter. Ele anunciou que toda a participação nos lucros e dividendos da instituição, que oferece cursos na área jurídica, será destinada ao dízimo em sua igreja e a projetos sociais e educacionais.

A declaração foi feita durante um culto religioso em São Paulo, onde Mendonça, que também é pastor, pregava sobre a importância de construir altares de adoração a Deus. A decisão vem em um momento delicado, com discussões sobre a criação de um código de ética para ministros do STF e questionamentos sobre os rendimentos de magistrados por meio de empresas.

Conforme divulgado pelo próprio ministro em suas redes sociais e em seu Instagram, a medida visa dar um testemunho público de sua fé e compromisso. Mendonça expressou que se sentiria incomodado se subisse ao púlpito sentindo-se vulnerável diante da sociedade, e que este compromisso é um reflexo de seu papel como pastor e servo de Deus. A informação sobre a destinação dos lucros foi divulgada após reportagens sobre o Instituto Iter, o que o deixou “triste e aborrecido”, segundo suas próprias palavras.

Compromisso com a fé e o testemunho público

Durante a pregação, André Mendonça explicou que a decisão de destinar os lucros do Instituto Iter foi tomada em conjunto com sua esposa, com o objetivo de consagrar um “altar a Deus”. Ele afirmou que, embora a legislação permita que juízes sejam acionistas de empresas, a sua posição como ministro do STF e como pastor o leva a tomar tal atitude.

“Tudo aquilo que um dia eu e a Janey fizermos por direito, nós nunca tivemos participação de lucro e resultado. Tudo que ganhei até hoje ali foi para dar aula. Mas tudo que o vier possivelmente a dar de lucro e resultado, vou separar 10% para o dízimo e os 90% restantes serão investidos em obras sociais e educação. Nada será tomado para mim”, declarou Mendonça.

Ele ressaltou que qualquer participação de lucro ou resultado do Instituto Iter será seu “altar diante de Deus” e um “testemunho perante a sociedade”. A intenção é demonstrar que um servo de Deus abre mão de “tesouros na Terra para juntar tesouros no Céu”, como relatado na fonte.

Debates sobre ética e rendimentos no STF

O anúncio de Mendonça ocorre em um contexto de intensos debates sobre a conduta e os rendimentos dos ministros do STF. Uma reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo evidenciou que nove dos dez ministros atuais possuem empresas em sociedade com parentes, atuando principalmente em áreas como advocacia, educação e mercado imobiliário.

A Lei Orgânica da Magistratura permite que juízes sejam acionistas ou cotistas de empresas, desde que não atuem na gestão. No entanto, a existência dessas empresas tem gerado questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse e a necessidade de maior transparência.

Recentemente, o ministro Dias Toffoli se afastou da relatoria de um inquérito após a revelação de que uma empresa da qual é sócio com seus irmãos vendeu participação para um fundo ligado a investigados no caso. Esse cenário de questionamentos reforça a importância das declarações de André Mendonça sobre a destinação de seus rendimentos.

Origem e propósito do Instituto Iter

André Mendonça explicou que o sonho de fundar o Instituto Iter surgiu após seu mestrado na Espanha, em 2013, com o objetivo inicial de capacitar gestores públicos. A formalização da empresa ocorreu após sua nomeação para o STF, em 2021.

O ministro enfatizou que, embora seja lícito auferir resultados de tais empreendimentos, sua posição no serviço público e como ministro do Evangelho o impulsionam a agir de forma diferente. “Pesa sobre mim duas coisas. Uma delas é a posição que ocupo hoje na esfera pública. A segunda delas e mais importante, é a posição como ministro do Evangelho”, afirmou.

Ele concluiu expressando que todos estão sujeitos a erros, mas que eventuais tropeços de sua parte como ministro e pastor repercutem em toda a igreja. Por isso, reitera seu compromisso com Deus e seus irmãos em dar bom testemunho, pedindo que, se um dia for para dar mau testemunho, que Deus o leve antes.

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