O Relato Chocante do Primeiro Médico a Socorrer Abraham Lincoln Após o Assassinato no Teatro Ford
Há 161 anos, em 15 de abril de 1865, o mundo presenciava um dos momentos mais trágicos da história americana: o assassinato do presidente Abraham Lincoln. O jovem cirurgião militar Charles Leale, com apenas 23 anos, estava presente no Teatro Ford e se tornou a primeira testemunha e o primeiro profissional de saúde a tentar salvar a vida do líder.
O relato detalhado de Leale, agora traduzido e divulgado, oferece um panorama angustiante das horas finais de Lincoln, desde o momento do disparo até o seu último suspiro. A narrativa revela a confusão inicial, a rápida identificação da gravidade do ferimento e a incansável dedicação dos médicos em uma tentativa desesperada de reverter o quadro fatal.
A descrição minuciosa dos eventos, feita por quem estava na linha de frente do atendimento, permite compreender a dimensão da tragédia e o impacto imediato do ato criminoso. As palavras de Leale pintam um quadro vívido do caos e da dor que se seguiram ao assassinato, conforme divulgado pelo relato original do próprio cirurgião.
O Momento do Disparo e a Chegada ao Camarim Presidencial
Charles Leale narra sua chegada ao Teatro Ford por volta das 20h15 do dia 14 de abril de 1865, conseguindo um lugar a cerca de 12 metros do camarote presidencial. Ele descreve a entrada de Abraham Lincoln, da Sra. Lincoln, do Major Rathbone e da Srta. Harris, recebidos com aplausos pela plateia. A peça “Our American Cousin” transcorria tranquilamente até por volta das dez e meia da noite, quando um disparo de pistola ecoou.
Imediatamente após o tiro, um homem, descrito como de baixa estatura, com cabelos e olhos negros, saltou para o palco segurando uma adaga. Durante a queda, seu calcanhar se enroscou na bandeira americana pendurada no camarote, mas ele se recuperou rapidamente e fugiu. Gritos de “O Presidente foi assassinado!” e “Matem o assassino!” começaram a surgir na plateia.
Leale correu para o camarote presidencial e, ao entrar, foi recebido pela Sra. Lincoln, que implorava: “Ó, doutor, faça o que puder por ele, faça o que puder!”. Ele assegurou que fariam o possível, enquanto as senhoras presentes demonstravam grande agitação. O presidente Lincoln estava sentado, com a cabeça inclinada para a direita, apoiado pela Sra. Lincoln, que chorava.
O Diagnóstico e a Luta Pela Vida de Lincoln
Ao se aproximar do presidente, Leale percebeu que Lincoln estava em estado de paralisia geral, com olhos fechados e em coma profundo. A respiração era intermitente e estertorosa. Ao tentar sentir o pulso radial direito, não detectou movimento. Com a ajuda de outros presentes, Leale o posicionou em uma cama na residência de William Peterson, em frente ao teatro.
Em meio ao atendimento, Leale notou um coágulo de sangue perto do ombro esquerdo de Lincoln. Inicialmente, acreditou ser uma facada, mas ao examinar a cabeça, descobriu um coágulo maior, cerca de um centímetro abaixo da linha superior do osso occipital. Ao remover o coágulo, identificou a entrada de uma bala no encéfalo. Assim que retirou o dedo, houve um leve sangramento e a respiração de Lincoln tornou-se mais regular.
Outros médicos, como o Dr. Charles Sabin Taft e o Dr. Albert King, chegaram e, em consulta, decidiram transferir o presidente para a casa de Peterson. A remoção foi feita rapidamente, apesar da multidão agitada que se formou nas ruas e no teatro. A rua em frente ao teatro estava repleta de pessoas, muitas das quais seguiram a comitiva.
As Horas Finais e o Falecimento do Presidente
Na casa de Peterson, Lincoln foi colocado em uma cama diagonal, pois esta era muito curta. As janelas foram abertas e todos exceto médicos e amigos foram retirados do quarto. Suas extremidades inferiores estavam frias, levando à aplicação de garrafas de água quente e cobertores. O Dr. Robert King Stone, médico de família de Lincoln, assumiu o caso após ser informado por Leale.
Conforme a noite avançava, a condição de Lincoln piorava. Exames indicaram equimose na pálpebra esquerda e dilatação pupilar, seguida por uma protusão do olho direito e aumento da equimose ao redor da órbita. Sondas foram introduzidas na ferida, indicando a presença de fragmentos ósseos e, possivelmente, a própria bala. O pulso do presidente variava, tornando-se cada vez mais fraco e irregular.
Por volta das 6h40 da manhã, o pulso de Lincoln tornou-se quase imperceptível, com pulsações irregulares. A respiração ficou curta e laboriosa, acompanhada de um som gutural. Às 7h20 da manhã, Abraham Lincoln exalou seu último suspiro. O Reverendo Phineas Gurley realizou uma oração pela família enlutada e pelo país.