Oposição vê “virada” no Congresso após derrotas do governo Lula, atribuindo vitórias à mobilização e articulação política.
A recente sequência de derrotas do governo Lula no Congresso Nacional, incluindo a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada de um veto presidencial, está sendo vista pela oposição como um **sinal de virada no ambiente político**. Parlamentares da oposição atribuem esses resultados a uma combinação de fatores, que vão desde a pressão social e a mobilização de grupos até a **articulação política e a atuação da cúpula do Legislativo**.
Deputados e senadores ouvidos pela reportagem destacam que essas vitórias não foram isoladas, mas sim fruto de um esforço coordenado. A percepção é de que o Congresso Nacional está se mostrando mais autônomo e disposto a confrontar o Poder Executivo e, em alguns casos, o Judiciário em temas considerados sensíveis pela oposição.
Conforme informações divulgadas, a rejeição de Messias ao STF e a derrubada do veto ao projeto da dosimetria foram apontados como marcos dessa mudança. A oposição acredita que esses eventos sinalizam um **novo momento, com maior protagonismo do Legislativo**, capaz de impor suas vontades mesmo diante da agenda governista. Conforme informações divulgadas, a oposição atribui esses resultados à combinação de fatores.
Mobilização Social e Articulação Política como Chave para o Sucesso
O deputado Filipe Barros (PL-PR) ressaltou que a sequência de votações reflete uma **mudança de percepção dentro do Parlamento**. “A derrota de ontem foi histórica e a de hoje já é o sentimento de justiça. Existe a percepção nítida da realidade. Hoje o Congresso Nacional fez justiça”, afirmou, defendendo que houve falhas no respeito a garantias fundamentais em processos judiciais.
O senador Jorge Seif (PL-SC) também destacou a importância do cumprimento das regras regimentais e da condução da presidência do Senado. Ele mencionou que havia um atraso na análise do veto, o que motivou a pressa para sua pauta. “Nós vínhamos sensibilizando o presidente Davi, o veto tem que ser analisado em 30 dias, já era motivo suficiente para trancar a pauta”, disse.
A deputada Caroline de Toni (PL-SC) apontou a mudança de entendimento sobre a proporcionalidade das penas como um elemento central para a formação da maioria. “Qualquer brasileiro comum não consegue admitir certas condenações. A justiça nada mais é do que o senso das proporções, dar a cada um o que é devido”, afirmou.
Atuação de Alcolumbre e Pressão Familiar Impulsionam Vetos Derrubados
Em comum, os parlamentares da oposição apontam a atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ao destravar a pauta, somada à **pressão de familiares de condenados**, à articulação formal da oposição e ao desgaste político do governo no Congresso, como fatores cruciais para a dupla derrota. A oposição vê isso como um sinal de que o Legislativo está mais forte.
O líder do Novo na Câmara, Marcel van Hattem (RS), atribuiu o resultado a uma soma de fatores políticos e sociais. “Foram vários fatores […] tivemos pressão dos familiares, houve articulação com mais de 30 assinaturas para que a sessão fosse realizada e o resultado está aí”, afirmou, lembrando de episódios anteriores de mobilização.
Ele também mencionou a ocupação da mesa dos trabalhos para exigir que a pauta fosse votada, defendendo que o tema é prerrogativa do Parlamento. A união entre as Casas também foi celebrada. “Trabalhamos unidos, trabalhamos concisos, o Senado fez a sua parte, a Câmara fez a sua parte”, ressaltou Seif.
Base Governista Critica Condução e Alerta para Insegurança Jurídica
Por outro lado, parlamentares da base aliada do governo criticaram a condução da sessão por Davi Alcolumbre. Eles apontaram que o veto foi pautado como item único, **deixando de lado outros vetos mais antigos**, configurando um “atropelo” regimental com o objetivo de impor uma derrota simbólica ao Planalto. A argumentação foi de que a medida poderia beneficiar envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
Durante a votação, governistas sustentaram que a derrubada do veto abre espaço para **insegurança jurídica**, ao alterar critérios de cumprimento de pena de forma retroativa. O argumento predominante foi o de que a medida poderia beneficiar envolvidos nos atos de 8 de janeiro, classificados por integrantes da base como “inimigos da democracia”.
Nos bastidores, líderes governistas admitem que o ambiente político pesou. O líder do governo na Câmara, José Guimarães, reconheceu reservadamente que o “sentimento de derrota” após a rejeição de Messias contaminou a votação seguinte, dificultando a manutenção da base aliada diante do avanço de partidos do Centrão em direção à oposição. A **mobilização e articulação política** da oposição foram cruciais.