Nikolas Ferreira rebate padre após críticas sobre caminhada e porte de armas
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reagiu com veemência às críticas feitas pelo padre Ferdinando Mancilio, da Igreja do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. O religioso questionou o propósito da “Caminhada pela Liberdade”, promovida pelo parlamentar, e a compatibilidade do cristianismo com o apoio ao armamento. A polêmica ganhou força após a divulgação de um vídeo da homilia do padre nas redes sociais.
Sem mencionar diretamente Nikolas Ferreira, o padre Ferdinando Mancilio, durante a homilia no último dia 25, questionou a motivação de quem realiza protestos com o intuito de defender a vida, mas que nunca apresentou projetos em prol da população. “Não adianta querer fazer uma marcha para Brasília, alguém que nunca teve nenhum projeto a favor do povo e dizer que está defendendo a vida. Mentira, quer o poder”, afirmou o religioso.
A “Caminhada pela Liberdade”, que percorreu cerca de 240 quilômetros de Paracatu (MG) até Brasília em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pela anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, foi encerrada no mesmo dia da homilia. O padre também declarou ser “impossível” ser cristão e apoiar o armamento, comparando o uso de armas a um machado, cuja finalidade é outra.
Em resposta, Nikolas Ferreira criticou a fala do padre, afirmando que lhe “falta intelecto ou Bíblia”, ou ambos. O deputado defendeu que a arma em si não é o mal, mas sim quem a utiliza, citando exemplos bíblicos como Caim e Abel, e Davi e Golias. “Ou você acredita que quem defende o Papa e seus seguranças utilizam a Bíblia? Claro que não”, argumentou.
Ferreira também questionou a indignação do padre e de outros religiosos com a caminhada pacífica, contrastando com a falta de manifestações contra o crime organizado e as armas em mãos de criminosos. “Eles se indignam com um deputado caminhando de forma ordeira e pacífica, mas eu nunca vi essas mesmas pessoas que dizem que estamos politizando a fé, falar do crime organizado no país, e dizer sobre as armas que matam inocentes nas mãos de criminosos”, acrescentou.
Parlamentares da oposição criticam o padre
A reação do deputado Nikolas Ferreira foi endossada por outros parlamentares da oposição. O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sostenes Cavalcante (RJ), classificou o padre Mancilio como uma “vergonha” para a Igreja Católica, chamando-o de “padre esquerdista, comunista”.
O senador Magno Malta (PL-ES) seguiu a mesma linha, acusando o padre de ser “esquerdista” e “covarde” por não ter mencionado o nome de Nikolas Ferreira diretamente. Malta expressou a esperança de que o padre esteja vivo para ver Nikolas Ferreira se tornar presidente da República.
Caminhada pela Liberdade percorreu mais de 200 km
A “Caminhada pela Liberdade” teve como objetivo defender o ex-presidente Jair Bolsonaro e pedir anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. O percurso, iniciado em Paracatu, Minas Gerais, totalizou aproximadamente 240 quilômetros até Brasília, atraindo apoiadores e gerando debates sobre os temas abordados.
Debate sobre armamento e fé cristã se intensifica
A declaração do padre Ferdinando Mancilio sobre a impossibilidade de ser cristão e apoiar o armamento gerou um intenso debate nas redes sociais e entre políticos. A argumentação do deputado Nikolas Ferreira, que utilizou passagens bíblicas para defender seu ponto de vista, reacendeu a discussão sobre a interpretação da fé e o direito à autodefesa.
A polêmica evidencia a divisão de opiniões dentro de diferentes setores da sociedade brasileira, incluindo a esfera religiosa e política, sobre temas sensíveis como segurança pública, liberdade de expressão e a relação entre crenças e posicionamentos políticos.