PF adia depoimento de ex-banqueiro Vorcaro sobre suspeita de corrupção de servidores do BC; defesa pede mais tempo

PF adia depoimento de ex-banqueiro Vorcaro sobre suspeita de corrupção de servidores do BC; defesa pede mais tempo

Resumo

PF adia depoimento de Daniel Vorcaro; defesa alega desconhecimento do caso e pede mais tempo

A Polícia Federal decidiu adiar o depoimento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso e proprietário do extinto Banco Master. O interrogatório, que estava agendado para esta quinta-feira (20), foi postergado a pedido da nova defesa do empresário.

Vorcaro seria questionado sobre fortes suspeitas de que teria tentado corromper servidores do Banco Central. O objetivo, segundo as investigações, seria obter informações sigilosas e orientações sobre o seu conglomerado financeiro, o Banco Master.

A nova defesa de Daniel Vorcaro, que conta agora com o advogado Daniel Bialski desde o início de novembro, argumentou que ainda não teve acesso a todo o material da investigação. A equipe jurídica precisa de tempo para analisar detalhadamente as provas e se preparar adequadamente para o depoimento. Conforme apurado pela Gazeta do Povo com fontes ligadas à investigação, este é o motivo principal para o adiamento solicitado.

Belline Santana, ex-chefe do BC, também é alvo de investigação

Além de Daniel Vorcaro, outro nome crucial neste braço da investigação é o de Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do Banco Central. Santana foi um dos alvos da terceira fase da Operação Compliance Zero, sob suspeita de repassar informações sigilosas e oferecer consultoria informal ao ex-banqueiro.

As investigações apontam para um esquema onde Daniel Vorcaro teria aliciado servidores do Banco Central. Os métodos incluiriam o pagamento de propina, o uso de empresas intermediárias e a oferta de benefícios indiretos. Em contrapartida, os servidores funcionariam como informantes, fornecendo dados confidenciais e orientações técnicas.

O objetivo principal dessa colaboração seria tentar evitar a liquidação do Banco Master. A Polícia Federal detalha que a comunicação entre Vorcaro e os servidores ocorria por meio de aplicativos de mensagens, facilitando o fluxo de informações privilegiadas.

Detalhes das propinas e o papel dos servidores do BC

Entre as formas de pagamento de propina detalhadas na investigação, estão repasses milionários realizados através de empresas de fachada e intermediárias. Transações simuladas de compra de imóveis e o custeio de viagens internacionais, incluindo passeios para parques como a Disney, também foram identificados como parte do esquema.

A Polícia Federal descreve que os servidores do Banco Central atuavam em uma espécie de “consultoria paralela”. Eles orientavam Daniel Vorcaro tecnicamente, inclusive na elaboração de minutas de ofícios. Esses documentos eram enviados ao próprio Banco Central e ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com o intuito de blindar os negócios do banqueiro.

Além de Belline Santana, a investigação menciona a colaboração de Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor e chefe-adjunto na área de supervisão. Souza teria auxiliado Vorcaro a monitorar fiscalizações em andamento, utilizando as informações obtidas ilegalmente.

Nova tentativa de delação premiada e desafios para Vorcaro

A defesa de Daniel Vorcaro foi reforçada este mês com a entrada do advogado Daniel Bialski, que se junta a Sérgio Leonardo, já atuante desde o início das apurações. Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro do ano passado, no Aeroporto de Guarulhos, ao tentar viajar para os Emirados Árabes Unidos, supostamente para negociar a venda do Banco Master.

Bialski expressou a intenção de negociar uma terceira tentativa de delação premiada para Vorcaro. As duas propostas anteriores foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por não apresentarem informações novas ou aprofundadas em relação ao que já era conhecido pela investigação.

A nova estratégia da defesa seria recomeçar do zero, permitindo que Vorcaro fale por longas horas diárias para detalhar todo o funcionamento do esquema. No entanto, a quebra de confiança devido à omissão de informações nas tentativas anteriores pode dificultar o acordo. Internamente, a PGR já considera que as chances de negociação com Vorcaro se esgotaram, e até o ministro André Mendonça, relator da ação do Master no STF, sinalizou que não prioriza uma delação.

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