PF mira desvio de emendas de deputado do MA e suspeitas de fraudes em licitações milionárias
A Polícia Federal deflagrou a Operação Monte Sinai nesta quinta-feira (13), com o objetivo de investigar o suposto desvio de recursos públicos, fraudes em licitações, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e crimes tributários no estado do Maranhão. A investigação foca em emendas parlamentares do deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL-MA).
Nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos em São Luís e em outros seis municípios maranhenses. A Justiça também autorizou o bloqueio e sequestro de bens e valores, além de impedir que as empresas investigadas participem de licitações ou mantenham contratos com o poder público. Conforme a Polícia Federal, há fortes indícios de irregularidades na aplicação de verbas de emendas parlamentares federais destinadas à execução de obras de infraestrutura.
A apuração, que começou a partir de análises da Receita Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), também apura indícios de uso irregular de precatórios do Fundef/Fundeb em contratos de pavimentação e infraestrutura. Estes recursos são, por lei, vinculados ao financiamento e desenvolvimento da educação pública.
Josimar Maranhãozinho e o Foco da Investigação
Embora as emendas parlamentares de Josimar Maranhãozinho sejam o foco da Operação Monte Sinai, o deputado não é alvo direto desta ação policial, segundo apurou a reportagem. A investigação, contudo, detalha um esquema que teria coordenado a destinação de recursos, acompanhado a liberação de verbas e cobrado propinas. A Polícia Federal aponta que Maranhãozinho seria o líder de um esquema que exigia uma **propina de 25% sobre as emendas** destinadas às prefeituras.
Um Histórico de Investigações e Condenações
Não é a primeira vez que o deputado Josimar Maranhãozinho se vê envolvido em investigações. Em março deste ano, ele foi condenado, juntamente com o deputado Pastor Gil (PL-MA) e o suplente João Bosco (PL-SE), pelo STF por suposto desvio de R$ 1,6 milhão de emendas parlamentares. As investigações apontaram que Maranhãozinho coordenava a liberação dos recursos e cobrava propina.
Em junho, o deputado já havia sido alvo de buscas por suspeitas de desvio de recursos do antigo “orçamento secreto”. Os valores desviados, segundo a investigação, teriam sido repassados por meio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e direcionados à contratação de empresas vinculadas ao grupo investigado.
Operações Anteriores e Suspeitas de Fraudes
Em 2020, o deputado foi investigado por suspeita de desvio de emendas destinadas à saúde no Maranhão, com indícios de crimes de peculato e lavagem de dinheiro. Na época, o parlamentar negou as acusações. Um ano antes, em 2021, ele foi alvo da Operação Maranhão Nostrum, que apurou suspeitas de fraudes em licitações e contratos para fornecimento de medicamentos em municípios maranhenses ligados à sua base política.