PGR arquiva pedidos de oposição para afastar Toffoli do caso Master; entenda os detalhes

PGR arquiva pedidos de oposição para afastar Toffoli do caso Master; entenda os detalhes

Resumo

PGR arquiva representações contra Dias Toffoli no caso Banco Master

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidiu arquivar três representações da oposição que solicitavam o afastamento do ministro Dias Toffoli do Supremo Tribunal Federal (STF) da relatoria do inquérito sobre o Banco Master. A Procuradoria-Geral da República (PGR) informou ter recebido quatro procedimentos com o mesmo objetivo, sendo que um ainda está em análise, mas os demais foram arquivados.

As representações foram apresentadas pelos deputados federais Adriana Ventura (Novo-SP), Carlos Jordy (PL-RJ) e Caroline de Toni (PL-SC) em dezembro de 2025. Os parlamentares citaram a viagem de Toffoli ao Peru na companhia do advogado de um dos investigados como motivo para o pedido de afastamento, alegando possível conflito de interesses.

Em seu despacho datado de 15 de fevereiro de 2025, Gonet justificou o arquivamento sem análise de mérito, afirmando que o caso já é objeto de apuração no STF e que a atuação da PGR está regular. “Não há, portanto, qualquer providência a ser adotada no momento”, declarou o procurador-geral.

Oposição reforça alegações de conflito de interesses

A deputada Caroline de Toni, no entanto, continuou a apontar um possível “conflito de interesse” por parte do ministro, apresentando novos argumentos à PGR para sustentar a suspeição. Ela declarou que “são motivos mais do que suficientes para declarar o impedimento do ministro Dias Toffoli”.

Segundo a parlamentar, “falta transparência e existe vínculo, conflitos de interesse dele com muitas pessoas envolvidas na investigação”. As alegações ganharam força após reportagens indicarem que empresas ligadas a parentes do ministro teriam como sócio um fundo de investimentos conectado ao Banco Master.

Ligações com o Banco Master e o resort Tayayá

A oposição destacou que o Arleen Fundo de Investimentos, até 2025, possuía um terço das ações do resort de luxo Tayayá, no Paraná. Este fundo, por sua vez, fez aportes na DGEP Empreendimentos, uma incorporadora imobiliária da mesma cidade, que tinha um primo do ministro em seu quadro societário.

A conexão com o caso Banco Master se daria por meio de uma cadeia de fundos, onde o Arleen foi cotista do RWM Plus, que recebeu recursos de fundos como o Maia 95, um dos citados pelo Banco Central na suposta teia de fraudes envolvendo o banco. A sede de uma empresa relacionada ao irmão do ministro, José Eugênio Dias Toffoli, estava registrada em um imóvel onde mora a família dele.

Negativas e desdobramentos da investigação

O Estadão apurou que a cunhada do ministro negou qualquer envolvimento de José Eugênio com o resort Tayayá. Contudo, uma reportagem do portal Metrópoles revelou que o resort operava um cassino com máquinas caça-níqueis e mesas de pôquer, sendo chamado por funcionários de “o resort do Toffoli”, apesar de não pertencer mais formalmente à família.

Em fevereiro de 2025, a Maridt, empresa ligada à família do ministro, vendeu suas participações no resort por cerca de R$ 3,5 milhões. As cotas foram adquiridas pela PHB Holding, pertencente ao advogado Paulo Humberto Barbosa. Anteriormente, em 2021, parte da participação havia sido vendida a um fundo ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e alvo da operação Compliance Zero.

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