Polícia Federal diz não a proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, empresário e dono do Banco Master. A defesa do executivo foi notificada sobre a decisão, que surge após semanas de negociações e mudanças em seu status prisional.
Vorcaro foi detido preventivamente em 4 de março, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. Na ocasião, a PF apontou indícios de que o banqueiro teria montado uma estrutura particular para monitorar e intimidar desafetos.
A informação sobre a recusa da delação foi divulgada pela revista Veja e pela GloboNews. A decisão da PF sinaliza que as informações fornecidas por Vorcaro não foram consideradas suficientes para um acordo, impactando os rumos da investigação.
Transferência para Brasília e Sala de Estado-Maior
Inicialmente detido no Complexo Penitenciário de Potim, em São Paulo, Daniel Vorcaro foi posteriormente transferido para a Penitenciária Federal em Brasília. Em 19 de abril, o Ministro da Justiça autorizou sua realocação para a Superintendência da Polícia Federal, também na capital federal.
Essa troca de unidade prisional foi vista como um passo inicial para uma possível delação premiada. Vorcaro chegou a ocupar a sala de Estado-Maior, local que já foi utilizado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, indicando um tratamento diferenciado durante as negociações.
Proposta de Acordo e Falta de Informações Cruciais
Em 6 de maio, a defesa de Daniel Vorcaro formalizou uma proposta de acordo de delação premiada à Procuradoria-Geral da República (PGR) e aos investigadores da PF. No entanto, segundo apuração, as informações apresentadas não foram consideradas suficientes pelas autoridades policiais.
Um dia após a entrega da proposta, a PF deflagrou a quinta fase da Compliance Zero, focando no senador Ciro Nogueira (PP-PI). Essa nova fase sugeriu que a investigação poderia avançar independentemente da colaboração de Vorcaro.
De acordo com a coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo, o empresário não teria mencionado o senador Ciro Nogueira em seu acordo. Além disso, o Ministro da Justiça não estaria mais recebendo o advogado de Vorcaro, José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca.
Retorno à Carceragem Comum e Sinal de Fim das Negociações
Como um indicativo claro de que a delação premiada não avançaria, Daniel Vorcaro deixou a cela especial na sede da PF e retornou à carceragem comum na última segunda-feira, 18 de março. Essa mudança reforça a posição da Polícia Federal em não aceitar o acordo nos termos apresentados.
A investigação da Operação Compliance Zero segue em curso, e a decisão da PF em rejeitar a delação de Daniel Vorcaro pode ter implicações significativas para a apuração de esquemas envolvendo o Banco Master e outras personalidades.