PT e Boulos acusam Tarcísio de Freitas de usar perfis de fofoca para propaganda: PGR é acionada

PT e Boulos acusam Tarcísio de Freitas de usar perfis de fofoca para propaganda: PGR é acionada

Resumo

PT e Boulos denunciam Tarcísio por suposto uso de perfis de fofoca para propaganda governamental

O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando a investigação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A legenda alega que a gestão estadual teria financiado, de forma irregular, uma rede de perfis de entretenimento e fofoca nas redes sociais.

O objetivo, segundo a denúncia, seria promover os feitos do governo e impulsionar a imagem pessoal do governador, visto como um potencial candidato à Presidência em 2026. A ação se baseia em um levantamento da revista Piauí.

A reportagem aponta uma mudança no padrão editorial de grandes perfis de entretenimento no Instagram, como “Alfinetei”, “Fofocas” e “Exclusivas da Fama”, que passaram a publicar conteúdos elogiosos à administração paulista em dezembro de 2025 e janeiro de 2026, com linguagem padronizada.

Mudança editorial em perfis de milhões de seguidores levanta suspeitas

As páginas em questão, que reúnem milhões de seguidores e tradicionalmente focam em celebridades e memes, teriam iniciado a publicação de conteúdos favoráveis ao governo de Tarcísio de Freitas. Entre os temas abordados, destacam-se a isenção de IPVA para motocicletas, a inauguração de trechos do Rodoanel Norte e ações contra concessionárias de energia.

Para o PT e seus aliados, essa estratégia configura publicidade institucional disfarçada de conteúdo orgânico, o que violaria a Constituição Federal e poderia caracterizar improbidade administrativa e abuso de poder econômico. A legenda argumenta que a sondagem feita pela revista “aponta robustos indícios de que o enaltecimento do governador do Estado de São Paulo não tenha ocorrido por mera liberalidade editorial dessas páginas, mas por meio de financiamento com recursos financeiros cuja fonte e motivação se desconhecem”.

Governo de São Paulo nega irregularidades e defende transparência

Em resposta às acusações, o governo paulista negou veementemente as irregularidades e afirmou que suas ações seguem estritamente os princípios da legalidade e da impessoalidade. Em nota enviada ao jornal Folha de S.Paulo, a gestão declarou que “não houve qualquer investimento público nas publicações mencionadas pela reportagem”.

A administração estadual ressaltou que realiza apenas campanhas institucionais e de utilidade pública, visando dar transparência às ações do governo e divulgar informações de interesse público. Todas as campanhas estariam em plena conformidade com os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, publicidade e eficiência.

Boulos também aciona Ministério Público de São Paulo contra Tarcísio

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (Psol), também apresentou uma representação similar à da PGR, desta vez ao Ministério Público de São Paulo. O pedido de Boulos visa rastrear a origem dos pagamentos e identificar se houve intermediação de agências de publicidade contratadas pela gestão estadual.

Boulos enfatiza a necessidade de apuração rigorosa sobre o uso de perfis de fofoca para promover autoridades públicas e atacar adversários políticos. Ele defende que tal prática precisa ser investigada para garantir a transparência e coibir irregularidades na comunicação política. A defesa de Tarcísio de Freitas, por sua vez, sustenta que a legislação eleitoral e administrativa é rigorosamente cumprida e que a popularidade do governador nas redes sociais é fruto de uma gestão técnica e eficiente, sem artifícios de marketing, e que a denúncia carece de provas materiais de pagamentos diretos.

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