PT mira 2026: Guerra contra "Big Techs" e "colonialismo digital" vira estratégia central para Lula e o partido

PT mira 2026: Guerra contra “Big Techs” e “colonialismo digital” vira estratégia central para Lula e o partido

Resumo

O Partido dos Trabalhadores (PT) tem intensificado sua estratégia para as eleições de 2026, colocando o enfrentamento às grandes empresas de tecnologia, as chamadas “Big Techs”, como um pilar central de sua narrativa. Essa abordagem visa não apenas fortalecer a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas também defender a soberania nacional em um cenário cada vez mais digitalizado.

Declarações recentes do presidente Lula, com tom crítico e até humorístico sobre o uso de celulares e os perigos da inteligência artificial, não são isoladas. Elas refletem uma linha de ação consolidada, detalhada em resolução partidária de dezembro de 2025, que aponta as plataformas digitais como um risco ao processo eleitoral e à autonomia do país.

Essa retórica é complementada por iniciativas práticas, como ações judiciais movidas por parlamentares petistas. O partido busca, assim, enquadrar a atuação das Big Techs como um “colonialismo digital”, uma forma de dominação que molda comportamentos e influencia a política, favorecendo, segundo a legenda, a extrema-direita.

PT define “colonialismo digital” como ameaça estratégica para 2026

A resolução política do PT aprovada em dezembro de 2025 é clara ao apontar a atuação das grandes plataformas digitais como um dos principais fatores de risco ao processo eleitoral e à soberania nacional. O documento destaca que “não haverá eleição sem interferência externa”, citando pressões e ameaças relacionadas à não regulação das Big Techs.

O partido argumenta que a disputa geopolítica atual condiciona o cenário interno, e o PT precisa estar preparado para enfrentar tentativas de “desestabilização e manipulação digital de larga escala”. A comunicação digital e a soberania tecnológica são, portanto, elevadas a um papel estratégico na disputa política e cultural.

A resolução enfatiza a necessidade de “regulação das Big Techs, o empoderamento das redes progressistas, o fortalecimento da comunicação pública e a construção de uma presença massiva e coordenada nas plataformas digitais”. Essas ações são vistas como cruciais para “disputar corações e mentes, bloquear a desinformação e proteger o processo eleitoral”.

Lula critica “podridão” das redes e o poder das “oligarquias digitais”

Em eventos recentes, o presidente Lula utilizou linguagem forte para criticar o ambiente das redes sociais e o avanço da inteligência artificial. Ele descreveu a situação como “podridão” e alertou que o cenário na IA “não está nem começando”.

Em uma das falas que viralizaram, Lula disse: “Vocês vivem no celular. Levanta de manhã, nem beija o marido e já pega o celular, vai deitar, ao invés de dar um beijinho, vai pegar o celular”. O presidente também afirmou que “poucos controlam algoritmos, dados e infraestruturas”, o que leva a uma “nova forma de colonialismo: o digital”.

Essa visão já havia sido expressa anteriormente. Em março de 2025, Lula mencionou o “poder absolutista” das “oligarquias digitais” e a necessidade de um “arcabouço jurídico robusto” para enfrentar o risco de colonialismo digital. A associação entre tecnologias e risco político e social é uma linha discursiva calculada e reiterada por outros membros do governo e do partido.

Judicialização e desenvolvimento tecnológico como pilares da estratégia

Paralelamente ao discurso e à resolução partidária, o PT tem recorrido ao Judiciário em casos envolvendo plataformas digitais e adversários políticos. Um exemplo é a representação solicitando providências contra o assistente de inteligência artificial Grok, pedindo investigação e possíveis medidas como “bloqueio ou até banimento do serviço em território nacional”.

O partido alega que o Grok teria gerado imagens falsas de teor sexual envolvendo crianças e adolescentes, o que, segundo o PT, já permitiria a suspensão do serviço no Brasil. Outra ação envolveu o deputado federal Rogério Correia (PT) acionando a Advocacia-Geral da União (AGU) contra o deputado Nikolas Ferreira por suposta “desinformação e fake news” em um vídeo sobre o Pix.

A resolução do PT também defende a construção de “capacidades tecnológicas próprias” para o Brasil, incluindo “uma política nacional que articule uma rede pública de dados, padrões tecnológicos abertos, centros de computação de alta performance, incentivos à pesquisa em inteligência artificial aberta e fortalecimento de empresas, universidades e startups brasileiras”. O objetivo é que o Brasil “não possa permanecer subordinado ao oligopólio global das Big Techs”.

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