Parlamentares de Esquerda Criticam Nikolas Ferreira Após Raio Ferir Manifestantes em Brasília
Um incidente alarmante marcou o encerramento da Caminhada pela Liberdade, em Brasília, quando um raio atingiu dezenas de participantes. O evento, liderado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), resultou em 72 pessoas atendidas pelo Corpo de Bombeiros, com 30 delas necessitando de hospitalização. O ocorrido acendeu um debate acirrado nas redes sociais, com parlamentares de esquerda apontando o dedo para o deputado, acusando-o de conduta irresponsável.
A forte tempestade que caiu sobre a capital federal no momento da concentração na Praça do Cruzeiro foi um fator determinante para a gravidade do evento. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, a presença de um guindaste no local pode ter contribuído para a atração da descarga elétrica. A situação, que deixou oito pessoas em estado considerado “instável”, rapidamente gerou reações políticas.
As críticas vieram de diversos setores da esquerda, que já vinham se posicionando contra a mobilização organizada por Nikolas Ferreira. Eles argumentam que a decisão de prosseguir com o evento em condições climáticas adversas demonstra uma falta de consideração com a segurança dos apoiadores, configurando o que chamam de “tragédia anunciada”. Conforme informações divulgadas, a Caminhada pela Liberdade partiu de Paracatu (MG) em 19 de janeiro, percorrendo 240 quilômetros até Brasília, com o objetivo declarado de denunciar supostos abusos cometidos pelo Supremo Tribunal Federal.
Lindbergh Farias Aponta “Irresponsabilidade do Início ao Fim”
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) foi um dos primeiros a manifestar sua indignação, divulgando um vídeo onde detalha sua percepção sobre a conduta de Nikolas Ferreira. Farias afirmou que o deputado agiu de forma imprudente ao organizar uma caminhada às margens de uma rodovia sem a devida autorização da Polícia Rodoviária Federal e, posteriormente, ao concentrar pessoas sob uma tempestade. “Sabe qual a marca de caminhada do Nikolas? A irresponsabilidade!”, declarou Farias, enfatizando que o evento “não poderia terminar de outra forma, senão com uma tragédia”. O petista também sugeriu que o objetivo da caminhada seria desviar o foco de questões relacionadas ao Banco Master.
Erika Hilton e Ana Paula Lima Reafirmam Críticas e Apontam Riscos
A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) ecoou as críticas, questionando a prioridade dada por Nikolas Ferreira ao timing político em detrimento da segurança de seus apoiadores. “Entre proteger seus apoiadores de uma tempestade ou perder o timing político, Nikolas optou por colocar pessoas em risco em nome de ganhos pessoais e eleitorais”, afirmou Hilton, que, apesar de estender solidariedade às vítimas, manteve a tese de irresponsabilidade.
A vice-líder do governo na Câmara, Ana Paula Lima (PT-SC), classificou os responsáveis pela marcha como “criminosos”. Ela destacou a realização de um ato em meio a chuva e raios, com alerta laranja do Inmet, como uma atitude de alto risco. “Tragédia anunciada e provocada: estavam com grades metálicas e um guindaste com bandeira do Brasil – atraindo os raios”, pontuou a parlamentar.
Outras Vozes da Esquerda Se Juntam às Críticas
A deputada Erika Kokay (PT-DF) relacionou o incidente à “lógica golpista” da “extrema-direita”, argumentando que a atitude de realizar um ato irresponsável, ignorando alertas climáticos, expõe tal lógica. O deputado José Guimarães (PT-CE) também criticou a decisão de levar pessoas à rua em condições perigosas, visando “pedir impunidade”, e lamentou as dezenas de feridos e a angústia familiar.
Por fim, Camila Jara (PT-MS) utilizou um tom irônico ao comparar o evento a outras mobilizações, afirmando que “o fanatismo que colocou gente na montanha com Marçal é o mesmo que levou pessoas a esse circo sem lona armado por Nikolas”. Ela finalizou expressando solidariedade às vítimas, “do raio e do mau-caratismo”.