PMDF envia a Moraes relatório detalhado sobre rotina de Bolsonaro na Papudinha
A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) encaminhou um relatório detalhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a rotina do ex-presidente Jair Bolsonaro durante seu período na prisão. O documento abrange os dias de 15 a 27 de janeiro e registra as atividades diárias de Bolsonaro no 19º Batalhão de PM, conhecido como Papudinha, em Brasília.
O ex-presidente contou com acompanhamento médico frequente, incluindo consultas com profissionais da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) e médicos particulares. Além disso, Bolsonaro realizou diversas sessões de fisioterapia, conforme detalhado no relatório.
Os atendimentos da SES-DF consistiram em avaliações clínicas de rotina, com monitoramento de sinais vitais como pressão arterial, frequência cardíaca e saturação de oxigênio. O relatório, que foi enviado a Alexandre de Moraes, também aponta as visitas recebidas por Bolsonaro.
Visitas familiares e atividades físicas registradas
No âmbito familiar, o documento indica que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro visitou o ex-presidente logo no primeiro dia de custódia, e novamente nos dias 21 e 22 de janeiro. O ex-vereador Carlos Bolsonaro também esteve presente na unidade nos dias 21 e 22. A rotina na carceragem militar incluiu períodos reservados para atividades físicas, com caminhadas diárias que, em alguns dias, chegaram a durar uma hora.
Assistência religiosa e jurídica na Papudinha
O registro também menciona a assistência de capelania prestada pelo pastor Thiago de Araújo Macieira Manzoni nos dias 20 e 27 de janeiro. As visitas de advogados ao ex-mandatário também foram registradas no relatório enviado ao STF.
Ausência de atividades para remição de pena por leitura
Apesar da movimentação médica, familiar e jurídica, o relatório destaca que, durante todo o período analisado, não houve registros de atividades laborais ou de participação em programas de remição de pena por leitura. Recentemente, a defesa informou a Moraes sobre o desejo de Bolsonaro em aderir formalmente às atividades de leitura regulamentadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O ministro havia autorizado a participação do ex-presidente no programa, que conta com uma lista de mais de 300 livros autorizados pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal, em parceria com a Secretaria de Educação.
Histórico de detenção e pedidos negados
Bolsonaro esteve em prisão domiciliar de 4 de agosto até 22 de novembro, quando foi preso preventivamente por tentar violar a tornozeleira eletrônica. A detenção ocorreu no âmbito de um inquérito que apura a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Em 25 de novembro, Moraes encerrou a ação penal da suposta tentativa de golpe de Estado e determinou o cumprimento imediato da pena de 27 anos e três meses de prisão de Bolsonaro. A defesa apresentou diversos pedidos de prisão domiciliar humanitária, mas todas as solicitações foram negadas pelo ministro.