Análise de Votos de Presos em 2022 Revela Tendência Clara para a Esquerda, com Destaque para o PT
A Constituição de 1988, conhecida por seu extenso catálogo de direitos, permite o voto de presos provisórios. Em 2022, essa prerrogativa resultou em uma expressiva vitória da esquerda, especialmente do PT e seus aliados, nas urnas das unidades prisionais. A análise dos dados oficiais do TSE, compilados pela Gazeta do Povo, aponta que, se apenas esses votos contassem, o cenário político em vários estados seria drasticamente diferente.
A votação entre os detentos em 2022 não se limitou à disputa presidencial, onde Lula obteve cerca de 80% dos votos em ambos os turnos. Os resultados para governadores, senadores e deputados federais também mostraram uma forte inclinação para a federação Brasil da Esperança, liderada pelo PT. Em alguns casos, os candidatos preferidos dos presos não foram eleitos, apesar dos bons percentuais obtidos nas carceragens.
Essa tendência se manifestou de forma contundente em estados como Amazonas, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e São Paulo, que poderiam estar sob governos do PT ou de partidos coligados. A análise detalhada dos votos em seções eleitorais identificadas como carceragens e unidades prisionais revela o impacto significativo dessa parcela do eleitorado. Conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo, é importante notar que, embora a maioria dos votantes nessas seções sejam presos provisórios, também há a possibilidade de votos de policiais penais.
Votação Presidencial em 2022: PT Lidera Disparado entre Detentos
No primeiro turno das eleições presidenciais de 2022, a preferência dos presos foi claramente direcionada ao candidato do PT. Lula obteve 48.997 votos, o que corresponde a 79,8% do total. Em comparação, Jair Bolsonaro (PL) recebeu 8.671 votos (14,1%). Votos nulos somaram 1,69%, seguidos por Simone Tebet (MDB) com 1,32% e votos brancos com 1,3%.
Impacto nos Resultados Estaduais: Governadores e Senadores Sob Influência do PT
A força do PT e seus aliados se estendeu às eleições para governadores e senadores. Em estados como Amazonas, a federação Brasil da Esperança (PT/PC do B/PV) teve candidatos com bom desempenho entre os presos, embora nem sempre tenham sido eleitos. No Amapá, Cleció (PSDB/Cidadania) foi o mais votado, mas a federação PT/PC do B/PV também apareceu com destaque.
Em Rondônia, a federação Brasil da Esperança teve seus candidatos preferidos entre os presos para o Senado, com Gervano Vicente e Fátima Cleide obtendo votos expressivos, apesar de não terem sido eleitos. Em Alagoas, o candidato do MDB, apoiado pela federação Brasil da Esperança, foi o mais votado entre os detentos, tanto para governador quanto para senador.
Na Bahia, Jerônimo (PT) liderou a votação entre os presos no segundo turno para governador, garantindo sua eleição. Para o Senado, Otto Alencar (PT/PC do B/PV/MDB/PSB/AVANTE/PSD) também foi o preferido. No Ceará, Elmano de Freitas (PT) e Jose Airton (PT) tiveram bom desempenho entre os detentos. No Maranhão, Roseana Sarney (MDB) e o candidato do PT foram os mais votados.
Na Paraíba, Ricardo Coutinho (PT) e Pollyanna (PP) tiveram votações relevantes entre os presos, com destaque para candidatos do PT. Pernambuco viu Marília Arraes (SOLIDARIEDADE/PSD/AVANTE/AGIR/PMN) ser a mais votada entre os presos no primeiro turno para governador, mas Raquel Lyra (PSDB/Cidadania) foi eleita. No Piauí, Wellington Dias (PT) e Rejane Dias (PT) foram os preferidos dos detentos. Em Sergipe, Fábio (PDT) foi eleito governador, mas Rogério Carvalho (PT) também teve votação significativa entre os presos.
Distrito Federal e Centro-Oeste: PT Forte nas Preferências dos Detentos
No Distrito Federal, Bia Kicis (PL) e Erika Kokay (PT) foram as mais votadas para o Senado entre os presos, demonstrando uma divisão de preferências. Em Goiás, a delegada Adriana Accorsi (PT) e Daniel Mendes (PT) foram os preferidos para o Senado, enquanto Ronaldo Caiado (MDB) foi o escolhido para governador.
O Rio Grande do Sul apresentou uma disputa acirrada, com Eduardo Leite (PSDB/Cidadania) sendo o mais votado para governador, mas Alexandre Lindenmeyer (PT) e Juliana Brizola (PDT) se destacaram na disputa pelo Senado. Em Santa Catarina, Décio Lima (PT) foi o preferido entre os presos para governador, embora Jorginho Mello (PL) tenha sido eleito. Ana Paula Lima (PT) e Giovana Mondardo (PT) foram as mais votadas para o Senado.
No Espírito Santo, Renato Casagrande (PT) foi o preferido para governador, enquanto Da Vitória (PP) e Helder Salomão (PT) se destacaram na disputa pelo Senado. Em Minas Gerais, a federação Brasil da Esperança (PT/PC do B/PV) teve candidatos fortes para o Senado, como Reginaldo Lopes e Paulo Guedes.
São Paulo, o maior colégio eleitoral, mostrou Fernando Haddad (PT) com forte preferência entre os presos para governador. Na disputa pelo Senado, Tiririca (PL) e Rui Falcão (PT) foram os mais votados, com destaque também para Guilherme Boulos (PSOL/REDE) e outros candidatos do PT.
O Que Explica a Vantagem do PT entre Eleitores Presos? Análise de Especialistas
Especialistas apontam o recorte demográfico da população carcerária como um fator chave. Marcos José Zablonsky, especialista em opinião pública, sugere que a maioria dos presos possui baixa escolaridade, baixa renda, e são negros e pardos, um perfil que se alinha com o eleitorado do PT. Ele também menciona a “memória eleitoral” como um fator, com eleitores recordando o histórico de Lula ligado aos direitos humanos.
Mario Sergio Lepre, advogado e cientista político, oferece uma interpretação mais direta, sugerindo uma “coincidência de ideias” entre o que os presos desejam e o que a esquerda prega. Ele argumenta que a esquerda, em sua lógica, tende a ver criminosos como vítimas da sociedade, o que atrairia o voto de detentos que buscam um “Estado protetivo ao bandido”.
Lepre contrapõe que as pautas da direita, focadas no endurecimento de penas, afastariam esse eleitor. Ele também levanta a possibilidade de votos de agentes públicos, como policiais penais, que também votaram nessas seções, influenciando os resultados. A presença de votos para a direita em algumas urnas carcerárias, como deputados federais na Bahia, pode ser explicada por essa diversidade de eleitores.
Voto de Presos Suspenso para Eleições 2026: O Que Mudou?
A permissão para o voto de presos provisórios, regulamentada em 2010, foi suspensa para as Eleições de 2026. A atualização do Código Eleitoral Brasileiro, decorrente da aprovação do PL Anticadê, **proíbe o voto de pessoas recolhidas a estabelecimentos prisionais enquanto durar a privação de liberdade, mesmo sem condenação definitiva**. Essa mudança visa, segundo defensores, cortar o ciclo de influência de facções criminosas dentro dos presídios e reforçar a credibilidade do processo eleitoral.
Em 2022, cerca de 13 mil presos provisórios e adolescentes internados estavam aptos a votar, segundo o CNJ. O número final de votos foi menor devido a exigências como a necessidade de ao menos 20 eleitores habilitados para a abertura de uma seção eleitoral. O caso da suspensão do voto de presos provisórios ainda pode ser judicializado.