Senador Vieira Revela "Recado" de Ministro do STF: "Acerte seu tiro, senão vou acertar o meu"

Senador Vieira Revela “Recado” de Ministro do STF: “Acerte seu tiro, senão vou acertar o meu”

Resumo

Senador Vieira acusa ministro do STF de intimidação após CPI do Crime Organizado

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, relatou ter recebido um suposto “recado” de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) com o objetivo de intimidá-lo. A declaração foi feita durante entrevista ao Flow Podcast nesta quarta-feira (22).

Segundo Vieira, o recado foi transmitido por meio de outro senador, a poucas semanas do encerramento dos trabalhos da comissão. A mensagem, segundo o parlamentar, era clara: “Avisa para o Alessandro que ele tem que acertar o tiro dele, senão vou acertar o meu”.

O senador classificou a prática como uma “lógica do recado, da intimidação”, que ele considera permanente no cenário político de Brasília. Essas alegações surgem após o seu parecer final na CPI, que propunha o indiciamento de ministros como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, ter sido rejeitado pela comissão.

Reação do STF e acusações de Vieira

Apesar da rejeição do seu relatório, Alessandro Vieira acredita que a tentativa de indiciamento de ministros provocou uma forte reação na Corte. “Eles sentiram o golpe, eles nunca estiveram tão perto de ser responsabilizados”, afirmou, argumentando que a situação transcende o debate jurídico e configura uma “tentativa de intimidação”.

Vieira também mencionou que o decano do Supremo chegou a comentar sobre o seu relatório, sugerindo que ele havia esquecido de indiciar “colegas milicianos”. O senador criticou essa postura, acusando o ministro de cometer crime ao fazer tal vinculação e de se acreditar impune para “atacar”.

O senador relembrou que Gilmar Mendes acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) contra ele por suposto abuso de autoridade. No entanto, Vieira solicitou o arquivamento da representação, baseando-se em decisões anteriores do próprio decano do Supremo.

Servidores punidos e “blindagem” de investigações

Durante a entrevista, o senador destacou um padrão no Brasil onde servidores técnicos, como policiais e peritos, que tentam investigar figuras de escalões superiores do poder, acabam sendo punidos. Ele questionou a impossibilidade de investigar um ministro, utilizando como contraponto o impeachment e a prisão de um ex-presidente. “A pessoa que teve 50 milhões de votos está presa, e eu não posso investigar um ministro que tem vida de milionário e anda de carona em jatinho?”, indagou.

Vieira acusou diretamente o ministro Alexandre de Moraes de utilizar suas decisões para “blindar” investigações contra colegas do STF. Ele citou como exemplo a decisão de Moraes que estabeleceu um limite temporal para uma liminar que restringia o compartilhamento de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Segundo o senador, essa determinação, que impediu a retroatividade da liminar, foi tomada com o intuito de proteger a si mesmo e a outros ministros, “especialmente o Dias Toffoli”. Vieira também reiterou acusações contra Toffoli, afirmando que o inquérito das fake news, instaurado em 2019, teve como objetivo “travar as investigações” da Receita Federal sobre as esposas de Toffoli e Gilmar Mendes.

Posicionamento do STF

A reportagem de A Gazeta do Povo buscou um posicionamento do STF sobre as declarações do senador Alessandro Vieira, mas até o momento da publicação, não obteve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações.

Tags:

Notícias todos os dias!

De domingo a domingo, as notícias que você não pode perder em seu e-mail.

Veja também