Senadores buscam detalhes financeiros da esposa de Moraes em investigação sobre Banco Master
Senadores da CPI do Crime Organizado apresentaram um requerimento para investigar o Banco Master, solicitando a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes. A medida visa apurar supostos benefícios obtidos pelo banco através de “interlocuções informais” e “influência de altas autoridades”.
A solicitação, apresentada pelos senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Magno Malta (PL-ES), foca em um contrato milionário firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes. O acordo previa o pagamento de R$ 129 milhões em três anos para a defesa da instituição financeira em processos perante o Banco Central, Receita Federal e o Congresso Nacional.
As investigações, segundo os parlamentares, apontam para um padrão que se assemelha a “organizações criminosas de colarinho branco”, caracterizadas pela sofisticação e pelo uso estratégico de influência institucional. A quebra de sigilo, conforme o requerimento, não tem caráter punitivo, mas sim investigativo, buscando identificar possíveis esquemas de favorecimento indevido e tráfico de influência.
Contrato Milionário e Respostas de Órgãos Oficiais
O requerimento detalha que o gabinete do senador Girão enviou ofícios a diversos órgãos, incluindo o Banco Central e a Receita Federal, questionando a atuação de Viviane Barci de Moraes em casos que envolviam o Banco Master. As respostas recebidas, no entanto, indicaram que “em nenhum momento houve a participação da Sra. Viviane Barci de Moraes” na defesa do banco junto a essas instituições.
Essa divergência de informações levanta questionamentos sobre a natureza das negociações e a possível influência exercida. Os senadores consideram que a investigação sobre o Banco Master revela um modus operandi que merece atenção especial, especialmente pela conexão com figuras de alta relevância no cenário político e jurídico brasileiro.
Detalhes da Quebra de Sigilo Solicitada
A quebra de sigilo bancário solicitada abrange o período de 1º de janeiro de 2024 a 1º de janeiro de 2026, incluindo todas as contas, investimentos e outros bens mantidos em instituições financeiras por Viviane Barci de Moraes. O objetivo é rastrear movimentações financeiras que possam indicar a existência de esquemas estruturados de favorecimento.
No âmbito fiscal, o pedido inclui um dossiê completo com declarações de Imposto de Renda, informações de cartões de crédito, atividades imobiliárias e outras movimentações financeiras. Os senadores enfatizam que a República deve se sustentar em “transparência, legalidade e igualdade perante a lei”, e não em “relações pessoais, cargos ou sobrenomes”.
Próximos Passos da CPI
O requerimento para a quebra dos sigilos bancário e fiscal da esposa de Alexandre de Moraes agora aguarda deliberação pela CPI do Crime Organizado. A decisão da comissão determinará se as investigações avançarão para obter os detalhes financeiros solicitados, o que poderá trazer novas luzes sobre as operações do Banco Master e as conexões investigadas.
A expectativa é que a análise desses dados financeiros possa confirmar ou refutar as suspeitas levantadas pelos senadores, fornecendo evidências concretas sobre a existência de práticas ilícitas ou favorecimentos indevidos. O caso promete gerar grande repercussão no cenário político e jurídico do país.