STF em Crise de Confiança: Pesquisa Indica Recorde de Impopularidade e Desconfiança Popular
O Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu um patamar alarmante de impopularidade, com 60% dos brasileiros declarando não confiar mais no trabalho e nos ministros da corte. Este índice representa um recorde histórico, segundo uma nova pesquisa realizada pela AtlasIntel em parceria com o Estadão.
A desconfiança em relação ao STF vem crescendo progressivamente. Em janeiro de 2023, a taxa de desconfiança era de 44%. Em agosto de 2025, o índice já subia para 51,3%. A pesquisa mais recente, de março de 2026, marca uma ruptura, com a desconfiança saltando para 60% e a confiança despencando para 34%, um verdadeiro colapso na percepção pública.
Essa queda acentuada na confiança está diretamente ligada a percepções sobre a atuação do tribunal em áreas cruciais e, mais recentemente, ao escândalo envolvendo o Banco Master. A população questiona a imparcialidade, a competência e até mesmo a defesa da democracia por parte da corte, conforme detalhado na pesquisa. A origem dos dados é a pesquisa Atlas em parceria com o Estadão.
Desconfiança Generalizada e Avaliações Negativas do Desempenho do STF
A pesquisa Atlas detalha a dimensão do problema, mostrando que 59,5% dos brasileiros não acreditam que a maioria dos ministros demonstra competência e imparcialidade nos julgamentos. Apenas 34,9% concordam com essa afirmação.
Em áreas específicas, o quadro se agrava. Na imparcialidade entre rivais políticos, 58% avaliam o STF como péssimo, enquanto somente 27% o consideram ótimo ou bom. No combate à corrupção, 54% classificam a atuação da corte como péssima, e apenas 29% como ótima ou boa.
Na correção de erros e abusos de instâncias inferiores, 53% dos entrevistados consideram o desempenho do STF péssimo. Até mesmo na defesa da democracia, pauta frequentemente associada à imagem do tribunal nos últimos anos, 52% classificam a atuação da corte como péssima.
Ministros em Baixa: Imagem Negativa Predomina, Com Exceção de André Mendonça
A impopularidade não poupa os ministros individualmente. Dias Toffoli registra 81% de imagem negativa e apenas 9% positiva. Gilmar Mendes tem 67% de imagem negativa, seguido por Alexandre de Moraes com 59% e Flávio Dino com 58%.
Cristiano Zanin acumula 55% de imagem negativa, Cármen Lúcia 54%, e Edson Fachin 53%. O desgaste, portanto, deixou de ser difuso e atingiu a maioria dos membros da corte.
Uma exceção notável é André Mendonça, o único ministro com aprovação superior à desaprovação. Ele apresenta 44% de imagem positiva contra 37% de negativa, com 19% de desconhecimento ou não resposta. Seu perfil discreto e técnico o coloca em uma posição singular, especialmente após assumir a relatoria do caso Banco Master.
Caso Banco Master: O Epicentro da Crise de Credibilidade do STF
O caso Banco Master emergiu como um ponto de inflexão, alterando profundamente o significado político da crise no STF. Anteriormente, as críticas focavam nas decisões da corte; agora, o centro das atenções é a credibilidade do próprio tribunal para julgar um caso envolto em suspeitas de relações pessoais entre o banqueiro e ministros.
A pesquisa Atlas evidencia a magnitude do impacto do caso Banco Master. Cerca de 74,7% dos entrevistados afirmam conhecer o escândalo em detalhes, e outros 22,9% o conhecem parcialmente. Apenas 2,5% nunca ouviram falar sobre o assunto.
A maioria da população rejeita a presença do caso no STF, com 53% dos entrevistados afirmando que o processo de liquidação do Banco Master não deveria ser julgado na corte. Somente 36,9% concordam que o julgamento deveria ocorrer no Supremo.
Suspeita de Influência Externa e Envolvimento Direto de Ministros Abalam a Confiança
A suspeita popular sobre a integridade do julgamento do Banco Master é avassaladora. Para 76,9% dos entrevistados, há muita influência externa no caso. Outros 13% percebem alguma influência externa.
A crença de que o julgamento está sendo técnico e baseado na lei é minoritária, representando apenas 6,1% das respostas. Mais alarmante ainda, 66,1% dos brasileiros acreditam haver envolvimento direto de ministros do STF no caso Banco Master, enquanto apenas 14,9% discordam.
O tribunal passou a ser visto por grande parte da população como uma instituição vulnerável à contaminação por poder econômico e influência indevida. O excesso de sigilo no caso Banco Master é apontado por 80% dos entrevistados como um fator que prejudica a confiança da sociedade.
Urgência em Recuperar a Confiança Social e a Solidez Institucional
A pesquisa capta de forma contundente a percepção pública: apenas 36% acreditam que o desfecho do caso reforçará a credibilidade dos ministros, enquanto 54% discordam. Similarmente, somente 33% acham que a análise do caso pelo STF aumenta a confiança no processo e fortalece a democracia, com 59% discordando.
Quando questionados se o STF trata todos os investigados de forma igual, independentemente de poder econômico ou político, a resposta é devastadora: apenas 23% concordam, e 70% discordam. Esses números indicam que o problema se tornou estrutural e institucional.
Instituições dependem fundamentalmente de confiança social para sobreviver. Quando um tribunal constitucional deixa de ser percebido como árbitro e passa a ser visto como parte do problema, a erosão da confiança se espalha por todo o sistema. A discussão sobre o STF transcende a polarização ideológica e exige um reconhecimento urgente da necessidade de recuperar a confiança do brasileiro nas instituições, garantindo a solidez do sistema democrático.