“Socialismo TikTok” da Geração Z: A promessa de soluções fáceis sob o olhar crítico da The Economist
A revista britânica The Economist lançou um alerta sobre o que denomina “socialismo feito para o TikTok”, um movimento político que, apesar de se manifestar de formas variadas em diferentes países, tem a Geração Z como principal motor.
Este fenômeno se caracteriza por discursos que priorizam interesses específicos de seus apoiadores, frequentemente mirando a fortuna de bilionários e grandes corporações. A publicação detalha as bases desse movimento, que questiona a contribuição do crescimento econômico para a melhoria da vida comum.
A The Economist aponta que as soluções propostas por essa corrente, embora atraentes pela simplicidade, podem ser ingênuas e impraticáveis. O artigo, que analisa o impacto do “socialismo TikTok”, cita exemplos de políticos que utilizam essa retórica para angariar apoio eleitoral, como o prefeito de Nova York e líderes de partidos de esquerda na Europa.
As Três Bases do “Socialismo TikTok” Segundo a The Economist
A publicação identifica três pilares centrais do “socialismo TikTok” que definem suas propostas e visão de mundo. Primeiramente, há uma forte crença de que o **crescimento econômico tem pouca influência positiva na vida das pessoas comuns**. Essa mentalidade se baseia em uma visão de soma zero, onde a riqueza não é gerada pela produção, mas sim pela apropriação da riqueza já existente.
Em segundo lugar, defende-se que **benefícios e auxílios sociais não devem ser financiados por toda a sociedade, mas sim exclusivamente pelos mais ricos**. Essa proposta busca concentrar o ônus financeiro nos detentores de grandes fortunas, aliviando a carga sobre a população em geral.
Por fim, o movimento demonstra **hostilidade à iniciativa privada, ao livre mercado e à livre alocação de lucros**. Em contrapartida, advoga por **intervenções estatais robustas** para regular preços e outros aspectos cruciais da vida econômica, buscando um controle mais centralizado sobre a economia.
Preocupações com Tributos, Governo e o Avanço da IA Moldam o Cenário
As insatisfações que alimentam o “socialismo TikTok” são multifacetadas, abrangendo desde a **elevada carga tributária** até as percepções sobre a eficiência dos gastos públicos e o avanço da inteligência artificial. Dados citados pela The Economist revelam que americanos, franceses e britânicos expressam crescente descontentamento com os impostos, ao mesmo tempo em que a aprovação dos gastos governamentais diminui.
A tecnologia, especialmente a inteligência artificial, também se tornou um foco de preocupação. Há uma percepção crescente de que investimentos em infraestrutura de dados, como data centers, podem elevar os custos de energia e água. Além disso, estudos indicam que uma maioria significativa de cidadãos nos EUA, Reino Unido e Canadá sentem-se nervosos com a IA, superando a média global.
Para a Geração Z que adota o “socialismo TikTok”, um capitalismo já considerado problemático tende a se tornar ainda mais preocupante com a ascensão de economias baseadas em IA. O temor de que a tecnologia ameace empregos é palpável entre os jovens americanos, com uma parcela expressiva manifestando essa apreensão.
O Declínio do Identitarismo Socialista e a Busca por Soluções Pragmáticas
Apesar da visibilidade do “socialismo TikTok”, a The Economist observa uma **diminuição no número de eleitores que se identificam explicitamente como socialistas**. Nos Estados Unidos, por exemplo, o percentual caiu de um pico de 5% para 3,4%. Esse declínio, contudo, não aponta necessariamente para uma migração em massa para ideologias conservadoras.
A publicação sugere que esse fenômeno reflete, em parte, um **afastamento das disputas ideológicas mais tradicionais**. Pesquisas indicam que o apoio a rótulos como capitalismo, socialismo democrático e socialismo tem diminuído entre 2018 e 2025, sugerindo um foco maior em soluções práticas para a redução do custo de vida e o aumento da renda.
Nesse contexto, narrativas que exploram o conflito entre ricos e o restante da sociedade ganham proeminência. Autores como o antropólogo Jason Hickel e o filósofo Kohei Saito são citados por defenderem que o crescimento econômico, por si só, não atende às necessidades reais das pessoas e que o aumento do PIB pode ser socialmente destrutivo, forçando jornadas de trabalho extenuantes.
Críticas e Contrapontos às Propostas do “Socialismo TikTok”
Em resposta a essas preocupações, líderes do “socialismo TikTok” tendem a **priorizar o custo de vida e a segurança no emprego**, especialmente diante do avanço da IA, em detrimento de pautas progressistas mais tradicionais. Defendem medidas de alívio imediato, mesmo que isso signifique sacrificar projetos de longo prazo com retornos incertos.
Diferentemente de gerações socialistas anteriores, o foco não está em um sistema amplo de tributação para financiar benefícios universais, mas sim em taxar os mais ricos e em **reduzir gastos públicos através de ganhos de eficiência**. A The Economist, no entanto, contesta a eficácia dessas propostas.
A revista argumenta que o controle de aluguéis, por exemplo, pode desestimular investimentos imobiliários, tornando a moradia mais cara a longo prazo. Quanto à redução de gastos públicos, cita a experiência de Elon Musk durante a administração Trump como um exemplo de que nem sempre a eficiência prometida se concretiza.
Sobre a tributação dos mais ricos, a publicação aponta que eles representam uma parcela pequena da população e que muitos poderiam simplesmente mudar sua residência fiscal para países mais favoráveis. A The Economist conclui que o liberalismo econômico não está condenado e que muitas das questões que motivam o “socialismo TikTok”, como aluguéis altos, derivam de mercados insuficientemente livres, e não do excesso de liberdade. Há tempo para o liberalismo apresentar soluções e vencer o debate econômico.