Toffoli devolve processo de Nelson Tanure à Justiça de SP, afastando ligação com o caso Master
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomou uma decisão que impacta diretamente o empresário Nelson Tanure. Ele determinou que a denúncia contra Tanure, acusado de suposto uso de informação privilegiada em uma operação da construtora Gafisa, seja devolvida à Justiça Federal de São Paulo. A decisão afasta a conexão previamente sugerida entre este caso e as investigações da Operação Compliance Zero, focada no caso Master.
A movimentação processual, revelada pelo blog de Malu Gaspar no jornal O Globo, trata de uma decisão sigilosa que ocorreu após Tanure ter sido alvo de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero, no último dia 14. As investigações apontavam que Tanure exercia influência sobre o caso Master por meio de fundos e estruturas societárias complexas, o que o empresário nega veementemente.
Inicialmente, a primeira instância atendeu a um pedido da defesa de Tanure, que alegava uma possível conexão entre os casos, e enviou a denúncia sobre a Gafisa para o STF. A juíza Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo, havia argumentado que o Ministério Público Federal (MPF) descrevia um “modus operandi semelhante” ao investigado na Operação Compliance Zero, envolvendo a emissão de títulos fraudulentos para obtenção de vantagem indevida. No entanto, a decisão de Toffoli reverteu essa visão.
Toffoli rejeita conexão e Tanure se torna réu em São Paulo
Em seu despacho, o ministro Dias Toffoli rejeitou a solicitação da defesa de Nelson Tanure, enfatizando a ausência de qualquer referência, mesmo que indireta, entre as duas investigações. Com essa decisão do STF, a juíza Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo, acatou a denúncia do MPF e **tornou Nelson Tanure réu** no processo relacionado à Gafisa. O empresário segue negando qualquer irregularidade.
Defesa de Tanure contesta acusações e reitera inocência
O advogado de Nelson Tanure, Pablo Naves Testoni, em declarações ao jornal O Globo, reiterou que o empresário possui **décadas de experiência no mercado de valores mobiliários** e nunca havia enfrentado acusações de práticas ilícitas no contexto de empresas onde é ou foi acionista. A defesa destaca que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não encontrou irregularidades, assim como o Delegado de Polícia Federal que investigou os mesmos fatos.
Operação na Gafisa foi debatida e aprovada por acionistas, afirma defesa
Testoni também ressaltou que a operação de aquisição da Upcon Incorporadora S/A, realizada entre 2019 e 2020, foi amplamente discutida na Gafisa S/A. Houve a publicação de fatos relevantes antes e depois do fechamento do negócio, que passou pelo crivo e foi **aprovado pela maioria dos acionistas da construtora**. A construtora Gafisa, em si, não foi incluída na acusação.
Empresário lamenta denúncia e confia no esclarecimento dos fatos
O advogado concluiu afirmando que o empresário Nelson Sequeiros Rodriguez Tanure lamenta a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, a qual considera açodada. A defesa expressa confiança de que **os fatos serão devidamente esclarecidos no curso do processo judicial**.