Trump elogia parceria petrolífera com Venezuela e afirma que povo está “feliz” com “sorrisos no rosto”, em meio a 389 presos políticos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (23) que o povo venezuelano está “feliz” e com “sorrisos no rosto”, atribuindo essa percepção à parceria de Washington com o governo de Delcy Rodríguez.
Em um evento na Pensilvânia, Trump detalhou que a cooperação na área de petróleo tem sido mutuamente benéfica. “Já trouxemos milhões de barris de petróleo [da Venezuela] e estamos nos dando muito bem”, afirmou o presidente americano.
Ele descreveu os líderes venezuelanos como “aliados” e “ótimas pessoas”, contrastando a situação atual com um passado de “miséria” e “fome”. As declarações ocorrem enquanto a ONG Foro Penal reporta a existência de 389 presos políticos no país. Conforme informação divulgada pelo próprio texto base, o Banco Central da Venezuela registrou um aumento de 21,5% nas receitas de exportação de petróleo no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período de 2025.
Parceria petrolífera e recursos abundantes
Trump enfatizou a vasta riqueza petrolífera da Venezuela, descrevendo-a de forma pitoresca. “Eles têm muito petróleo sob aquele solo. Sabe como se encontra petróleo na Venezuela? Basta olhar para o chão. Você verá o petróleo borbulhando”, disse.
Ele acrescentou que o país está gerando mais receita do que nunca com o petróleo, e que os Estados Unidos também se beneficiam financeiramente dessa relação. A Venezuela, sob a gestão de Delcy Rodríguez, restabeleceu relações diplomáticas com os EUA e firmou uma parceria de longo prazo no setor energético.
Liberações de presos e anistia sob pressão
Apesar das afirmações de Trump sobre a felicidade do povo venezuelano, a situação dos direitos humanos no país continua sob escrutínio. A ONG Foro Penal atualiza o número de 389 presos políticos na Venezuela.
O regime chavista tem anunciado a soltura de detidos desde a captura de Nicolás Maduro em janeiro, e chegou a aprovar uma Lei de Anistia. No entanto, Delcy Rodríguez declarou no final de abril que a lei “chegou ao fim”. Desde janeiro, o governo venezuelano relatou ter anistiado mais de 8,5 mil pessoas, embora a maioria já estivesse em liberdade condicional.
Aproximação com os EUA e flexibilização de sanções
Desde que Delcy Rodríguez assumiu como ditadora interina, a Venezuela tem se aproximado dos Estados Unidos. Essa reaproximação inclui o restabelecimento de laços diplomáticos e a parceria energética.
Em um movimento significativo, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Tesouro dos EUA retirou Rodríguez da lista de sanções econômicas em abril, onde ela estava desde 2018 por acusações de corrupção e violações de direitos humanos.
Investigações criminais e ausência de eleições
Relatos da Associated Press em maio indicaram que o governo Trump teria instruído procuradores a evitarem investigações criminais contra a ditadora interina venezuelana. Atualmente, não há previsão de eleições no país, o que levanta preocupações sobre a normalização democrática.