Trump propõe Lula para Conselho da Paz em Gaza e busca articular solução para conflito.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estendeu um convite ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para integrar o recém-anunciado “conselho da paz” com o objetivo de mediar o conflito em Gaza. A proposta surge em um momento delicado, com o Brasil, sob liderança de Lula, mantendo uma postura crítica em relação às operações militares na Palestina.
Até o momento, Lula não emitiu uma resposta oficial ao convite. O presidente brasileiro tem sido vocal em suas críticas, chegando a classificar as ações militares na região como “genocídio”. Essa posição pode influenciar a decisão de Lula em participar ou não do conselho proposto por Trump.
O governo americano anunciou a formação do conselho no último sábado, como parte da segunda fase de seu plano para buscar o fim da guerra no território palestino. Trump, que presidirá o grupo, já confirmou a participação de outras personalidades internacionais, como o presidente argentino Javier Milei.
Composição e Objetivos do Conselho da Paz
O conselho reunirá figuras próximas a Donald Trump, incluindo o secretário de Estado dos Estados Unidos e o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair. Outros convidados notáveis são o ditador egípcio Abdel Fatah Al-Sisi, o primeiro-ministro canadense Mark Carney e o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. O empresário bilionário Marc Rowan e Robert Gabriel, assessor de Trump no Conselho de Segurança Nacional, também foram incluídos na lista.
Trump exaltou a formação do grupo, descrevendo-o como “o maior e mais prestigioso conselho já reunido em qualquer momento e lugar”. A Casa Branca detalhou que a agenda do conselho da paz abordará temas cruciais para Gaza, como o fortalecimento da governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos e mobilização de capital.
Segunda Fase do Plano Americano para Gaza
A iniciativa faz parte da segunda fase do plano de 20 pontos do governo Trump para a região, que visa a transição de um cessar-fogo para um arranjo político e de segurança. Conforme anunciado pelo enviado especial dos EUA para a paz em Gaza, Steve Witkoff, esta nova etapa prevê a criação do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG) para gerir o território durante o período de transição.
O plano também inclui o desarmamento de “pessoal não autorizado” na Faixa de Gaza, com a advertência de que o descumprimento acarretará “sérias consequências”. Witkoff destacou os resultados da primeira fase, que, segundo ele, garantiu o cessar-fogo, a entrada de ajuda humanitária e a libertação de reféns.
A Posição de Lula sobre o Conflito em Gaza
A participação de Lula no conselho ganha relevância diante de suas declarações anteriores. Em setembro do ano passado, o presidente brasileiro afirmou que “não acha que em Gaza tem uma guerra. Tem um genocídio”. Ele descreveu a situação como um “exército altamente sofisticado matando mulheres e crianças”, e mencionou que “o próprio povo judeu está contra isso”.
Essa forte crítica de Lula às ações militares em Gaza pode criar um cenário complexo para sua eventual participação no conselho. A decisão final do presidente brasileiro sobre o convite de Trump será acompanhada de perto, dada a sua posição consolidada em relação ao conflito israelo-palestino.
Medidas de Segurança e Estabilização em Gaza
Complementarmente à formação do conselho, Trump designou o major-general americano Jasper Jeffers para liderar a Força Internacional de Estabilização (ISF). Esta força terá a responsabilidade pela segurança em Gaza e pelo treinamento de uma nova força policial destinada a substituir o Hamas. O plano busca, assim, estabelecer uma estrutura de segurança e governança no território.
A Fase Um do plano, segundo Witkoff, já alcançou resultados significativos, incluindo a manutenção do cessar-fogo, a ampliação da ajuda humanitária e a libertação de reféns sobreviventes. Os restos mortais de 27 dos 28 reféns que faleceram também foram devolvidos às famílias, conforme relatado.