Trump Retira Tropas da Alemanha: Um Golpe na OTAN e Críticas à Estratégia no Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira a **retirada de 5 mil soldados americanos da Alemanha** em até um ano. Esta medida, que eleva as tensões com Berlim e outros aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), surge em meio a críticas sobre a condução americana no conflito com o Irã.
A decisão acontece poucos dias após declarações do chanceler alemão Friedrich Merz, que teria afirmado que os EUA foram “humilhados” pelo Irã e que não percebe uma estratégia clara para solucionar o conflito. A retirada, segundo o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, faz parte de uma revisão da presença militar dos EUA na Europa.
O contingente americano na Europa retornará aos níveis de 2022, antes da invasão da Ucrânia pela Rússia. O plano anterior, sob o governo Joe Biden, de enviar um batalhão com mísseis de longo alcance para a Alemanha neste ano, foi revogado. As tropas retiradas devem ser realocadas para o Hemisfério Ocidental e a região Indo-Pacífico.
Alemanha: O Hub Militar Americano na Europa Sob Fogo
A Alemanha tem sido a principal base estratégica dos EUA na Europa. No final do ano passado, dos 68 mil militares americanos ativos no continente, mais de 36,4 mil estavam em solo alemão. O país abriga centros de treinamento e apoio a operações cruciais, incluindo as no Oriente Médio.
Bases na Alemanha funcionaram como centros logísticos vitais para a “Operação Fúria Épica”, a campanha americana contra o Irã. Estruturas como a Base Aérea de Ramstein, o Comando Europeu dos EUA e o quartel-general do Comando Africano dos EUA estão localizadas na Alemanha, além do Centro Médico Regional de Landstuhl, o maior hospital militar americano fora dos EUA, que atendeu feridos do conflito.
Trump Considera Reduzir Tropas em Outros Países Europeus
As movimentações de Trump não se limitam à Alemanha. Ele também sinalizou que avalia reduzir a presença militar dos EUA na Itália e na Espanha. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, criticou a ofensiva conjunta entre EUA e Israel e a utilização de bases espanholas, o que gerou reações de Trump, incluindo ameaças de sanções comerciais.
Na Itália, o governo de Giorgia Meloni evitou envolvimento direto até o final de março, quando negou o uso de uma base na Sicília para aviões americanos que transportavam armas. O atrito aumentou após críticas de Meloni a declarações de Trump sobre o Papa Leão XIV, levando a acusações de falta de “coragem” por parte da premiê, outrora uma aliada.