Vazamento de Depoimento: Daniel Vorcaro Detalha Venda do Banco Master para Ibaneis Rocha e Rombo de R$ 4 Bilhões no BRB

Vazamento de Depoimento: Daniel Vorcaro Detalha Venda do Banco Master para Ibaneis Rocha e Rombo de R$ 4 Bilhões no BRB

Resumo

Daniel Vorcaro detalha à PF negociação da venda do Banco Master com Ibaneis Rocha, apontando rombo de R$ 4 bilhões no BRB.

Trechos de um depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro à Polícia Federal (PF) foram divulgados, revelando detalhes sobre a venda do banco Master e sua relação com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Vorcaro alega ter negociado diretamente a transação com o governador, o que Ibaneis nega veementemente.

O caso investiga uma suposta fraude na venda de carteiras de crédito inexistentes ou desvalorizadas do Master ao BRB, gerando um rombo estimado em R$ 4 bilhões aos cofres públicos. A divulgação do depoimento levanta novas questões sobre o envolvimento de figuras políticas na operação financeira.

As informações, que vieram à tona nesta sexta-feira (23), contradizem a versão oficial do governo do DF sobre o distanciamento de Ibaneis Rocha nos detalhes técnicos da transação. A oposição já manifestou intenção de pedir o impeachment do governador.

Proximidade entre Vorcaro e Ibaneis: Contradições no Depoimento

Em seu depoimento à PF, Daniel Vorcaro declarou ter conversado pessoalmente com Ibaneis Rocha em duas ocasiões sobre a operação de venda do banco Master ao BRB. Segundo o banqueiro, os encontros teriam ocorrido entre 2024 e 2025, tanto em sua residência quanto na casa do governador. Vorcaro afirmou que o negócio avançou com o apoio do governo local e só foi interrompido pelo Banco Central.

Em contrapartida, Ibaneis Rocha negou as alegações ao Estadão, afirmando ter estado na casa de Vorcaro apenas uma vez para um almoço de apresentação, onde permaneceu em silêncio. O governador atribui a responsabilidade ao então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que foi afastado pela justiça.

Vorcaro, ao ser questionado sobre suas conexões políticas em Brasília, admitiu contatos com Ibaneis, mas evitou citar outros nomes, assegurando que tais relações não tinham ligação direta com as fraudes investigadas.

Estratégia de Captação de Recursos e Dependência do FGC

Daniel Vorcaro explicou à PF que a estratégia de crescimento do banco Master baseava-se em oferecer taxas de juros muito acima do mercado para captar recursos. O banqueiro admitiu que o atrativo para os investidores era a garantia de ressarcimento pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em caso de quebra, e não a saúde financeira da instituição.

Ele confessou que o Master enfrentava crises constantes de liquidez e dependia da cessão de ativos para manter o caixa funcionando. Vorcaro defendeu o modelo de negócio como legal e de conhecimento público, mas alegou que mudanças regulatórias do Banco Central interromperam suas fontes de financiamento.

Segundo o banqueiro, o anúncio da venda para o BRB acabou por fechar as portas do mercado, levando o banco à asfixia financeira definitiva.

O Rombo Bilionário no BRB e o Risco aos Cofres Públicos

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal apontam que o BRB teria pago R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro ao Banco Master. Este negócio é considerado o ponto de partida para as investigações que hoje indicam outros crimes financeiros.

Diante do avanço das apurações, o próprio BRB admite a possibilidade de registrar prejuízos decorrentes dessas operações. Como plano de contingência, o banco avalia receber aportes do governo do Distrito Federal, o que implicaria o uso de recursos públicos para cobrir as perdas financeiras.

A gestão de Ibaneis Rocha já sinalizou com a possibilidade de capitalizar essas perdas, gerando alerta na oposição, que vê risco direto ao dinheiro do contribuinte e questiona a responsabilidade política do governador no caso.

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