Venezuela: "Libertada, não invadida", dizem ativistas venezuelanos sobre ação contra Maduro, que alega "invasão"

Venezuela: “Libertada, não invadida”, dizem ativistas venezuelanos sobre ação contra Maduro, que alega “invasão”

Resumo

Ativistas venezuelanos em Curitiba desmistificam narrativa de “invasão” e defendem “libertação” do país sob regime de Maduro.

A Venezuela não foi invadida, mas sim libertada. Essa é a forte convicção de ativistas venezuelanos que residem no Brasil, que se sentem indignados com a forma como a situação em seu país é retratada em parte da mídia brasileira. Para eles, a discussão vai além de ideologias políticas e se concentra na realidade de um povo oprimido.

A narrativa de que os Estados Unidos estariam agindo por interesse em petróleo é vista como equivocada. A prioridade, segundo a ativista Rockmillys, é salvar vidas e restaurar a liberdade. “Não é sobre petróleo, é sobre gente”, enfatizou ela em uma reunião com imigrantes venezuelanos em Curitiba.

Essa perspectiva busca desconstruir a ideia de uma soberania intacta, argumentando que onde não há lei, não há soberania. O que impera na Venezuela, segundo relatos, são urnas forjadas, fraude eleitoral documentada e milhares de presos políticos, o que justificaria a intervenção como um ato de resgate.

Fraude eleitoral e prisão de opositores: a realidade venezuelana

A premissa central para entender a situação, segundo os ativistas, é que a Venezuela não vive sob um governo comum ou uma democracia. A fraude eleitoral é apontada como um dos pilares do regime, com mais de 80% das atas eleitorais demonstrando manipulação, um caso que poderia ser a fraude mais documentada do mundo. Sem um povo soberano, a soberania e a democracia se tornam inexistentes.

Além da fraude, o regime é acusado de violações graves dos direitos humanos. Milhares de presos políticos foram detidos, como o caso de Maria Oropeza, sequestrada em sua própria casa por denunciar o governo nas redes sociais e presa há mais de um ano no El Helicoide, centro descrito como o maior da América Latina.

O êxodo de 8 milhões de venezuelanos, cerca de 25% da população, é outra prova contundente da crise. “Se virem algum imigrante venezuelano pelo Brasil, saibam que não estamos fazendo turismo. Nós fomos expulsos do nosso país”, declarou Hector, um dos imigrantes.

O fracasso das vias diplomáticas e a persistência do regime

Apesar de reconhecerem Maduro como um ditador, muitos brasileiros questionam a ação de Donald Trump na Venezuela. No entanto, o regime não se consolidou de um dia para o outro. Houve inúmeras tentativas internas de derrubá-lo, todas frustradas.

Em 2019, Juan Guaidó se declarou presidente interino, sendo reconhecido por mais de 50 países, mas a tentativa de saída pacífica resultou em perseguição e exílio. Em 2024, María Corina Machado apoiou Edmundo González, cuja vitória foi comprovada, mas o regime reagiu com um golpe de Estado, segundo os relatos.

Mesmo com pressão e mobilização interna, Maduro não cedeu. A pergunta que deveria ser feita, segundo os ativistas, não é por que os EUA se incomodam, mas sim por que o mundo deixou de se importar com a prisão, tortura e exílio de pessoas.

Petróleo: ferramenta de poder, não de desenvolvimento

Apesar de a Venezuela possuir a maior reserva de petróleo do mundo, o país representa apenas cerca de 1% do comércio internacional. A baixa qualidade do petróleo venezuelano e a sucateada estatal PDVSA, saqueada pelo regime, explicam o baixo desempenho.

A estatização de operações de empresas como a ExxonMobil afastou investimentos externos. A produção despencou de 3,7 milhões para cerca de 1 milhão de barris diários, um volume irrelevante no mercado global. O petróleo se tornou uma ferramenta de poder, corrupção e alinhamento ideológico.

A proposta de Donald Trump seria retomar investimentos para aumentar a capacidade produtiva e permitir a venda para outros países, além da China, devolvendo essa riqueza ao povo venezuelano. A ação, portanto, não é apenas sobre petróleo.

O fim da ditadura ainda não chegou, mas a esperança renasce

A captura de Maduro não significa o fim da ditadura. Figuras como Delcy Rodríguez, Jorge Rodríguez e Diosdado Cabello continuam ativos, e os presos políticos permanecem detidos. O aparato de repressão ainda existe, e o regime, embora ferido, perdura.

Contudo, pela primeira vez, há um vislumbre de esperança. Acredita-se que a Venezuela esteja mais perto do fim da ditadura do que do começo, graças a uma estratégia liderada por Donald Trump e Marco Rubio. A escolha agora é estar do lado certo da história, condenando ditadores e reconhecendo os passos na direção certa, o que pode marcar o fim dos tempos sombrios para a Venezuela.

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