Estrutura antiga passa por “exame” antes de receber veículos em São José dos Pinhais
Um viaduto construído em 1998 sobre o Contorno Leste, em São José dos Pinhais, que nunca foi utilizado, pode finalmente se tornar realidade. A estrutura, que se tornou um símbolo de desperdício por quase três décadas, está passando por estudos técnicos para sua conclusão e integração ao sistema viário da cidade.
A obra, erguida pelo extinto Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), permaneceu inacabada e desconectada das vias urbanas, ligando “o nada a lugar nenhum”. Agora, o governo do estado, através da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep), busca viabilizar a conclusão do viaduto, com um investimento estimado em R$ 18 milhões.
A prefeitura de São José dos Pinhais será responsável pelas vias de acesso, essenciais para que o viaduto cumpra seu papel de conectar regiões atualmente separadas pela rodovia federal. Essa iniciativa visa aliviar o tráfego intenso nas BR-116 e BR-277, que causam congestionamentos frequentes e atrasos. Conforme informações divulgadas pelas autoridades municipais, o projeto tem o potencial de redesenhar a mobilidade entre bairros como Roseira e Afonso Pena, além de facilitar o acesso ao Complexo Renault e à Avenida Rui Barbosa.
Potencial para Redesenhar a Mobilidade Urbana
A conclusão do viaduto promete criar uma nova rota de circulação no sentido leste-oeste do município, aliviando a concentração de tráfego nas travessias existentes pela BR-277 e pela Rua Onofre Holthman. Atualmente, a distância entre esses pontos obriga motoristas a percorrer trajetos mais longos, gerando ineficiência. A expectativa, segundo Beatriz Lemos, diretora do Departamento de Planejamento Territorial e Urbano do município, é que o viaduto permita uma redistribuição dos fluxos e maior fluidez viária.
O projeto também contempla a implantação de ciclovia, visando aumentar a segurança de pedestres e ciclistas. No entanto, há preocupações sobre a possibilidade de atrair tráfego pesado para áreas residenciais, uma questão que está sendo cuidadosamente avaliada no projeto viário. O objetivo é organizar os fluxos e mitigar impactos nos bairros consolidados.
Avaliação Estrutural Detalhada para Garantir Segurança
Antes de qualquer intervenção, a Amep contratou uma empresa especializada para realizar ensaios técnicos e inspeções detalhadas na estrutura. Gilson Santos, diretor-presidente da agência, explica que, embora estruturas de concreto armado tendam a ganhar resistência com o tempo, a camada de proteção do aço interno pode sofrer desgaste. “Como visualmente a estrutura não apresenta nenhum problema grave, é muito difícil que não seja aproveitável”, afirma Santos.
A avaliação também considerará a acomodação natural dos elementos estruturais, visto que o viaduto nunca suportou o peso de veículos. Segundo Lucas Pigatto, secretário municipal de Urbanismo, Transportes e Trânsito, o maior desafio reside nas desapropriações necessárias para os acessos e na articulação entre diferentes órgãos. Pigatto ressalta que a obra, na época de sua construção, não tinha previsão de uso urbano, o que explica seu abandono inicial.
Superando Desafios para Conectar a Cidade
A execução do viaduto, por estar sobre rodovia federal, será responsabilidade do estado, enquanto as ligações viárias caberão ao município. A articulação com a concessionária que administra o trecho é outro ponto crucial. Se concluído, o viaduto deixará de ser um monumento ao improviso e poderá se tornar um eixo estratégico na macromobilidade de São José dos Pinhais, encurtando distâncias e economizando tempo para os moradores.
A conclusão da estrutura é vista como a solução para a dificuldade enfrentada por quem precisa acessar o centro da cidade ou terminais de ônibus, sendo atualmente obrigado a utilizar as rodovias. “Com isso, evitamos sustos no futuro e garantimos que a estrutura esteja apta para receber o trânsito de veículos”, conclui Gilson Santos, diretor-presidente da Amep, sobre o exame detalhado que está sendo realizado.