Fogueiras de São João: Tradição que Queima Forte no Coração do Brasil
As festas juninas no Brasil são um espetáculo de cores, sabores e, especialmente, de fogo. A tradição das fogueiras, trazida pelos colonizadores portugueses e intrinsecamente ligada às celebrações de Santo Antônio, São João e São Pedro, continua a ser uma das manifestações culturais mais vibrantes do mês de junho.
Em diversas regiões, a devoção religiosa se transforma em verdadeiros eventos populares, com fogueiras que alcançam dezenas de metros de altura, atraindo milhares de pessoas. Essas estruturas imponentes exigem semanas de planejamento, mobilização comunitária e rigorosos cuidados técnicos para garantir a segurança, tornando a montagem e a queima os momentos mais aguardados.
O historiador Bruno Campos destaca a importância dessas fogueiras como um patrimônio imaterial. “A fogueira de São João é uma das tradições mais antigas das festas juninas e simboliza a união entre fé, comunidade e memória cultural. Mais do que uma estrutura de madeira, representa um patrimônio imaterial que preserva costumes trazidos pelos portugueses e incorporados à identidade brasileira”, explica.
Pontal do Araguaia (MT): De Olho no Recorde e na Fé
No Centro-Oeste, Pontal do Araguaia, em Mato Grosso, se destaca por suas fogueiras monumentais. Neste ano, a cidade ergueu uma fogueira de aproximadamente 45 metros de altura para a Festa de São João, celebrada entre 25 e 27 de junho. A construção, que utiliza madeira de eucalipto de reflorestamento, começou cerca de 20 dias antes do evento.
O município ganhou notoriedade nacional após construir, em 2023, uma fogueira de 69 metros, considerada pelos organizadores a maior do país. Essa estrutura exigiu cerca de 70 dias de trabalho e consolidou a cidade como referência nas festas juninas. Segundo Ualison Magalhães Silva, secretário municipal de Comunicação, a busca por recordes impulsiona a visibilidade, mas a tradição religiosa permanece como a principal motivação.
A expectativa para a queima deste ano é que a fogueira seja consumida em cerca de uma hora, sob monitoramento do Corpo de Bombeiros e com área isolada para o público, garantindo a segurança dos presentes.
Jateí (MS): Tradição e Fé Há 35 Anos com Fogueira de 65 Metros
Em Jateí, Mato Grosso do Sul, a Festa de São João, que ocorre entre 27 e 29 de junho, tem como principal símbolo uma fogueira imponente de 65 metros. A estrutura, também feita de madeira de eucalipto, demanda cerca de 38 dias de montagem e mobiliza uma equipe dedicada.
Francisco Raimundo Filho, operador de máquinas que participa da construção há 35 anos, compartilha o orgulho da comunidade. “A gente acompanha cada etapa da construção e sente orgulho quando vê tudo pronto. É uma tradição nossa e uma demonstração de fé que atravessa gerações”, afirma.
A fogueira será acesa com gasolina e diesel e tem previsão de queimar por aproximadamente quatro horas. A organização manterá um perímetro de segurança de 150 metros e contará com caminhões de água para reforçar a proteção.
São João (PR): Reconhecimento Internacional e Quase um Dia de Chama
No Sul do país, a cidade de São João, no Paraná, preserva com fervor a tradição junina brasileira. Entre 18 e 21 de junho, o município celebra o padroeiro com uma festa que espera atrair cerca de 80 mil visitantes.
A cidade ganhou fama internacional ao deter o reconhecimento do Guinness World Records pela maior fogueira do mundo entre 2012 e 2024, com estruturas que em algumas edições ultrapassaram os 60 metros. Neste ano, a organização preparou uma fogueira de aproximadamente 40 metros.
A montagem, que começou duas semanas antes da festa, envolve uma equipe de 11 trabalhadores. A estrutura triangular utiliza madeira de eucalipto, com cerca de oito metros de largura na base, afunilando até o topo. A queima está prevista para a noite de 20 de junho e deve durar cerca de 12 horas, com isolamento de 40 metros e apoio de caminhões-pipa.
Grazieli Sbisigo, secretária municipal de Turismo, ressalta o impacto cultural e social. “Mais do que atrações turísticas, as grandes fogueiras representam manifestações de fé e identidade cultural. Movimenta a economia local e mantém viva uma celebração que mistura religiosidade, trabalho coletivo e cultura popular”, pontua.