A privatização da Copasa em Minas Gerais: o que muda com a Equatorial Energia e como impactará a vida dos mineiros.
O governo de Minas Gerais concluiu em junho de 2026 a venda da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) para a Equatorial Energia. A transação, avaliada em R$ 10 bilhões, representa uma mudança significativa no cenário do saneamento básico no estado.
O principal objetivo da operação é utilizar os recursos arrecadados para abater a dívida bilionária do estado com a União, por meio do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Além disso, a privatização visa acelerar a universalização dos serviços de água e esgoto em todo o território mineiro.
A Equatorial Energia, já atuante nos setores de eletricidade e saneamento em outras regiões do país, assume o controle da Copasa, que deixa de ser uma estatal. Essa mudança traz consigo novas metas e responsabilidades, especialmente no cumprimento do Marco Legal do Saneamento até 2033. As informações são baseadas em reportagem da Gazeta do Povo.
Equatorial Energia assume o controle e define novo modelo de gestão
A **Equatorial Energia foi a vencedora do leilão**, oferecendo R$ 49,03 por ação da Copasa. Com a venda, a companhia se transforma em uma ‘corporation’, onde o poder de decisão é compartilhado entre diversos acionistas. Entretanto, o Estado mineiro mantém uma participação de 5% das ações e o direito a uma ‘golden share’, um mecanismo que permite ao governo vetar decisões estratégicas consideradas cruciais para o estado.
R$ 10 bilhões para abater dívida e impulsionar o saneamento
A injeção de aproximadamente **R$ 10 bilhões nos cofres públicos** é um dos pilares da operação. O governador Romeu Zema planeja direcionar a maior parte desse montante para a quitação de parte da dívida de Minas Gerais com a União. Essa medida é vista como fundamental para o **equilíbrio das contas estaduais** e para liberar recursos para outras áreas.
Impactos nos municípios e a universalização dos serviços
Os novos contratos, com concessões estendidas até 2073, trazem novidades para os 624 municípios atendidos pela Copasa. As prefeituras poderão antecipar mais de R$ 350 milhões em repasses, garantindo **fôlego financeiro imediato para obras locais**. Um ponto crucial é que cidades que antes contavam apenas com água encanada passarão a ter também os serviços de coleta e tratamento de esgoto, um avanço para a saúde pública e o meio ambiente.
Adiamento da cobrança de esgoto e o desafio do Marco Legal
Para suavizar a transição, um acordo entre a Associação Mineira de Municípios (AMM) e a Copasa estabeleceu o **adiamento da cobrança da tarifa de esgoto para 2029** nas cidades que aderirem ao novo modelo. Essa decisão visa permitir que os investimentos em infraestrutura sejam priorizados antes do impacto direto no bolso do consumidor. O grande desafio da nova gestão privada é cumprir o Marco Legal do Saneamento até 2033, que exige 99% de acesso à água potável e 90% ao tratamento de esgoto. Atualmente, o índice de esgoto tratado em muitas cidades mineiras é alarmantemente baixo, em torno de 9,8%, exigindo **acelerar obras e investimentos** em um prazo de apenas sete anos.