Defesa de Bolsonaro Admite Pedido de Conserto de Pistola Glock 9mm e Nega Ligação com Fim da Prisão Domiciliar

Defesa de Bolsonaro Admite Pedido de Conserto de Pistola Glock 9mm e Nega Ligação com Fim da Prisão Domiciliar

Resumo

Defesa de Bolsonaro detalha pedido de conserto de arma e afasta relação com fim da prisão domiciliar

A defesa de Jair Bolsonaro admitiu que o ex-presidente solicitou o conserto de sua pistola Glock 9mm, apreendida em uma blitz nesta semana. No entanto, os advogados negam veementemente qualquer vínculo entre este pedido e o término da prisão domiciliar humanitária concedida a ele.

Segundo os representantes legais, a equipe de segurança de Bolsonaro decidiu remover o percussor da arma, peça essencial para o disparo, após observar que o ex-presidente vinha utilizando medicamentos psiquiátricos. Essa medida, conforme alegam, visava garantir a segurança.

A explicação foi apresentada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa argumentou que as medicações psiquiátricas poderiam afetar a cognição de Bolsonaro, sendo inclusive determinantes no episódio do rompimento da tornozeleira eletrônica. Conforme informação divulgada pela defesa, a retirada do percussor ocorreu sem o conhecimento prévio do ex-presidente, tornando a arma inoperante.

O caso da tornozeleira eletrônica e a prisão domiciliar

É importante lembrar que em novembro de 2025, Bolsonaro cumpria prisão domiciliar quando tentou violar sua tornozeleira eletrônica com um ferro de solda. Na ocasião, Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva do ex-presidente na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

Questionada pelo ministro sobre o momento da manutenção da arma, que ocorreu na véspera do fim do prazo de 90 dias da prisão domiciliar humanitária, a defesa classificou o fato como uma **”mera coincidência”**. Os advogados registraram que Bolsonaro não tem interesse na restituição da arma enquanto sua atual situação de custódia perdurar.

A prisão domiciliar humanitária foi concedida por Alexandre de Moraes em 24 de março, permitindo que Bolsonaro se recuperasse de uma broncopneumonia. O ex-presidente recebeu alta hospitalar e retornou para sua residência em 27 de março. O relator do caso deve analisar a decisão nos próximos dias.

O pedido de conserto e a alegação de falha mecânica

A defesa explicou que Bolsonaro, ao manusear o ferrolho da arma recentemente, notou que o mecanismo estava “frouxo”. Ele alegou que a falha ocorria devido ao sistema “Safe Action” da Glock, que exige o percussor para gerar tensão no gatilho. Sem saber que a peça havia sido retirada por sua equipe de segurança, ele pediu ao sargento Estácio Leite da Silva Filho, vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que identificasse a falha.

Na segunda-feira, 15, a arma e um carregador sobressalente foram apreendidos durante uma blitz. A defesa sustentou que a entrega do armamento teve como única finalidade buscar auxílio na identificação e realização da necessária manutenção. A defesa ainda citou que a arma em questão já foi apreendida e devolvida ao peticionário no âmbito da Petição n. 10.405, que investiga suposta fraude em cartões de vacina.

Registro da arma e porte legal

Os advogados enfatizaram que a pistola é um bem devidamente registrado no sistema SIGMA do Exército Brasileiro, possuindo o Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF) expedido em 2019. A defesa sustenta que, embora Bolsonaro cumpra pena de 27 anos e 3 meses de prisão, **não houve determinação judicial para a entrega de suas armas ou cancelamento de seus registros**, o que tornaria a guarda do objeto em sua residência uma situação regular.

Quanto ao carregador sobressalente encontrado pela Polícia Militar durante a blitz, a petição esclarece que se trata de um acessório padrão que acompanha originalmente o kit de compra do armamento. A defesa anexou, inclusive, materiais publicitários para comprovar essa afirmação.

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